A Justiça do Distrito Federal decidiu condenar grandes empresas de tecnologia e jogos a pagarem um total de R$ 298 milhões por danos morais coletivos. A ação foi movida pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED) e foca no uso de loot boxes em jogos eletrônicos, especialmente acessados por crianças e adolescentes.
Motivação da condenação
A condenação teve como base o funcionamento das loot boxes, que são sistemas de recompensas aleatórias em que os usuários compram itens sem saber exatamente o que receberão. De acordo com a ANCED, esse modelo gera uma expectativa de recompensas raras, similar a práticas de apostas, o que é prejudicial para os jovens.
Entendimento da Justiça
A juíza responsável pelo caso destacou que essa prática infringe a proteção legal existente para crianças e adolescentes. Ela ressaltou que a legislação brasileira já proibia tais abordagens antes da implementação do ECA Digital, que foi sancionado em 2025.
Multas aplicadas
As multas foram distribuídas de acordo com o tamanho e a influência de cada empresa no mercado. As maiores penalidades foram aplicadas a:
- Apple (App Store): R$ 50 milhões
- Microsoft (Microsoft Store): R$ 50 milhões
- Tencent (PUBG Mobile): R$ 50 milhões
- Google (Play Store): R$ 40 milhões
- Sony (PlayStation Network): R$ 40 milhões
Além dessas, outras empresas, como Electronic Arts, Riot Games e Ubisoft, também receberam multas significativas.
Direcionamento do valor das multas
O valor total das multas será destinado ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal, após a conclusão do processo judicial. Esta destinação reforça o compromisso com a proteção dos direitos infantojuvenis.
Novas exigências para as empresas
A sentença não se limita às multas; ela também impõe novas exigências para as plataformas de jogos. As empresas deverão:
- Informar de forma clara que as recompensas são aleatórias;
- Divulgar as probabilidades de cada item;
- Implementar controles de verificação de idade;
- Restringir o acesso de menores às loot boxes;
- Criar opções de reembolso para compras indevidas realizadas por menores.
Impactos futuros da decisão
A decisão pode abrir espaço para que crianças, adolescentes e seus responsáveis busquem indenizações individuais relacionadas ao uso de loot boxes. Se mantida nas instâncias superiores, essa sentença pode se tornar um marco legal no Brasil, influenciando a regulamentação de práticas digitais voltadas ao público jovem.
