No último dia 12, a Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou o relatório final da investigação sobre a falha no lançamento do foguete sul-coreano Hanbit-Nano, que ocorreu em dezembro de 2025 no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O documento, elaborado pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), revelou que a causa do incidente foi uma falha nos anéis de vedação da câmara de combustível do primeiro estágio do foguete.

Detalhes do Incidente

A operação Spaceward, realizada em conjunto pela FAB e pela Innospace, tinha como objetivo realizar o primeiro lançamento de satélites do Brasil. Contudo, após pouco mais de 30 segundos de voo, o foguete começou a apresentar anomalias, resultando em uma queda explosiva. Os dados de telemetria permitiram a reconstrução do voo, que culminou na ruptura da câmara de combustão do primeiro estágio.

Resultados da Investigação

A análise inicial sugeriu que fenômenos atmosféricos poderiam ter causado a falha, mas a investigação descartou essa possibilidade ao não encontrar evidências significativas. Os especialistas descobriram que a falha foi resultado do desgaste gradual dos anéis de vedação, que não mantiveram a eficiência esperada devido ao excesso de compressão na instalação inicial.

Funcionamento do Sistema de Autodestruição

Uma questão levantada durante a investigação foi a não ativação do sistema de terminação de voo do foguete. O relatório esclareceu que o sistema estava funcional, mas as circunstâncias da falha não justificavam seu uso, conforme os protocolos estabelecidos. O Cenipa recomenda uma revisão desses critérios para garantir maior segurança em futuras missões.

Recomendações para Futuras Missões

Entre as medidas sugeridas pelo Cenipa está a revisão dos procedimentos de montagem dos sistemas de vedação e a necessidade de substituição completa dos anéis de vedação sempre que novos componentes forem instalados. A Innospace, por sua vez, deve implementar mecanismos de reavaliação sempre que houver substituições parciais de componentes.

Perspectivas Futuras

O resultado da investigação é visto como positivo tanto para o Brasil quanto para a Innospace, que agora possui um entendimento claro sobre os problemas enfrentados no voo do Hanbit-Nano. Isso aumenta as chances de sucesso em futuras tentativas de lançamento. A FAB, por sua vez, demonstrou sua capacidade de gestão de crises, aprendendo lições valiosas com incidentes passados, como a tragédia do VLS-1 em 2003. A expectativa é que a Innospace realize um novo voo a partir de Alcântara no terceiro trimestre deste ano.