A alta das taxas de juros nos últimos dias trouxe os títulos do Tesouro Nacional, especialmente os atrelados à inflação, para o primeiro plano das atenções dos investidores. Com taxas reais superando 8% ao ano em prazos mais curtos, essa situação não era observada desde a gestão Dilma Rousseff, e as expectativas sobre a manutenção das taxas pelo Banco Central alimentam a discussão.
Análise do cenário atual
De acordo com especialistas consultados, esse cenário oferece uma oportunidade rara, mas exige uma abordagem cautelosa. André Leite, da TAG Investimentos, afirma que não há risco de calote na dívida interna, mas alerta para os desafios dos títulos prefixados, que podem ser inflacionados. Ele recomenda a compra de títulos de inflação, como o Tesouro IPCA+, especialmente os de prazos mais curtos que, segundo ele, têm se mostrado mais seguros.
Perspectivas dos especialistas
Marco Noernberg, da Manchester Investimentos, corrobora a ideia de que as NTN-Bs apresentam uma relação risco-retorno favorável. Ele sugere focar em vencimentos entre 2030 e 2035, que conseguem captar as altas taxas sem sofrer tanto com eventuais novas elevações nos preços. Além disso, um relatório da XP sugere que os investidores optem por papéis indexados ao IPCA, principalmente devido à pressão inflacionária global e incertezas políticas no Brasil.
Custo da proteção no curto prazo
No entanto, essa proteção traz um custo imediato. Um título NTN-B com rendimento de 7% ou 8% reais, combinado ao IPCA, deve resultar em cerca de 13% ao ano, o que é inferior aos 14,50% do CDI atualmente. A expectativa é que, com a possível queda das taxas básicas no futuro, esses papéis valorizem ainda mais no mercado.
Visão sobre a bolsa de valores
No que diz respeito à bolsa de valores, a recente queda do Ibovespa de 200 mil para 169 mil pontos gera oportunidades, segundo Noernberg. Ele destaca ações de bancos e serviços públicos que estão subavaliadas. Por outro lado, a TAG Investimentos demonstra ceticismo quanto ao fluxo de capital estrangeiro, que já apresenta uma saída significativa, sugerindo que o mercado de ações pode estar desconectado do mercado de crédito.
Construindo uma carteira diversificada
Para investidores conservadores, a recomendação é de até 80% em ativos atrelados ao CDI, com inclusão de crédito privado. Para perfis moderados, uma alocação de 20% a 25% em papéis de inflação é sugerida. Investidores mais experientes podem considerar destinar 25% a 30% a NTN-Bs e até 20% a ações. A diversificação é fundamental, pois o cenário pode mudar rapidamente. Além disso, os especialistas aconselham a inclusão de investimentos internacionais, sugerindo que pelo menos 30% do patrimônio esteja alocado fora do Brasil.
