Na Super Quarta, o mercado financeiro aguarda com expectativa as reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) e do Federal Open Market Committee (FOMC) dos Estados Unidos. Embora as decisões de juros já pareçam estar precificadas, o foco estará nas sinalizações futuras dessas instituições.

Expectativas sobre o Copom

A expectativa é que o Copom mantenha o corte de 0,25 pontos percentuais na Selic. Segundo Thiago Pedroso, analista da Criteria, a atenção deve se voltar mais para as indicações sobre próximos passos do que para a decisão em si. Leonardo Costa, economista do ASA, reforça que muitos dos riscos já eram conhecidos antes da reunião, e a volatilidade externa é apenas um fator adicional em um cenário já instável.

Análise do FOMC

No cenário norte-americano, as expectativas são de que o FOMC mantenha as taxas de juros inalteradas. A linguagem do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, será crucial. Ele deve adotar um tom mais neutro, o que pode acalmar os mercados, segundo Pedroso. Contudo, a desacordo entre os membros do comitê sobre a política monetária será um ponto central da discussão.

Impactos no Mercado de Trabalho

Outros aspectos importantes incluem uma provável revisão do diagnóstico sobre o mercado de trabalho nos EUA. Dados recentes mostram uma melhora significativa nos empregos, exigindo uma atualização do tom do Fed. Para Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, a comunicação do FOMC deve refletir essa resiliência, adotando uma postura mais flexível.

Expectativas para o Brasil

Se o Copom sinalizar a continuidade do ciclo de cortes, setores como varejo e construção civil podem reagir positivamente. No entanto, se o tom for mais cauteloso, os analistas veem a possibilidade de revisão do otimismo já embutido nos preços. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, destaca que os dados locais terão mais peso do que qualquer acordo internacional.

Fluxo Estrangeiro e Juros

Por fim, o fluxo de investimentos estrangeiros no Brasil, que começou forte este ano, viu uma queda significativa em maio. Segundo Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, o diferencial de juros entre Brasil e o exterior pode impactar a performance dos ativos de risco no país. Se a Selic continuar em queda, a saída de fluxo pode persistir, refletindo essa diferença.