No município de Londrina, no Paraná, um projeto inovador está mudando a forma como os estudantes surdos se relacionam com a ciência. O Clube de Ciências em Mãos reúne alunos em um trabalho que integra iniciação científica, sustentabilidade e acessibilidade, permitindo que eles se tornem protagonistas na produção do conhecimento.
Transformação e aprendizado
Os estudantes, sob a orientação da professora Alessandra Francisco, transformam óleo de cozinha usado em sabão como parte de suas atividades. O projeto, que tem dois anos, foi desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), visando ampliar a presença dos alunos surdos em pesquisas e dar visibilidade ao trabalho realizado na escola.
Metodologia inclusiva
Alessandra destaca que o aprendizado em ciência deve ser feito de maneira visual e prática. A professora enfatiza que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é fundamental para que os alunos compreendam os conceitos, e que é necessário respeitar o tempo e o ritmo de cada estudante no processo de aprendizado.
Conteúdo em Libras
Uma das iniciativas do clube é a criação de um sinalário científico, onde os alunos produzem sinais para termos técnicos, gravando vídeos em Libras e criando materiais de apoio. Além disso, o grupo desenvolve um jogo bilíngue, que combina perguntas e respostas em português e Libras, para auxiliar ainda mais no aprendizado dos estudantes surdos.
Impacto social
Heycon Lucas Pedros dos Santos, um dos participantes de 16 anos, inicialmente não tinha interesse em ciência, mas ingressou no projeto para aprimorar sua comunicação. Hoje, ele desempenha várias funções, como a criação de slides e gravação de vídeos, e relata que o clube o ajudou a se concentrar e a se encaixar em um grupo.
Reconhecimento e mudança de percepção
O Clube de Ciências em Mãos foi reconhecido na Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, onde conquistou o terceiro lugar na categoria de divulgação científica. Alessandra enfatiza que essa visibilidade é crucial para mudar a percepção de que estudantes surdos são inferiores. O projeto demonstra que todos têm o direito de ocupar espaços na ciência e na educação.
