A inflação acumulada em 12 meses subiu para 4,72%, excedendo o teto da meta estabelecida pelo Banco Central. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na última sexta-feira (12), mostra um cenário misto que gera discussões entre especialistas sobre a Selic, que atualmente se encontra em 14,5%.
Pressões de Alimentos e Energia
O aumento no índice de maio foi de 0,58%, superando as expectativas do mercado, que variavam entre 0,52% e 0,55%. Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, enfatiza que a alta de 1,33% no grupo de Alimentação e Bebidas representa quase a metade da inflação do mês, refletindo desafios de oferta, como eventos climáticos e custos logísticos que impactaram produtos como batata-inglesa, tomate e cebola.
Além disso, o setor de Habitação também contribuiu para a inflação, com um aumento de 1,22%, em parte devido a reajustes nas tarifas de energia elétrica, que subiram 3,67% após a ativação da bandeira tarifária amarela pela ANEEL.
Dados Positivos em Transportes e Serviços
Apesar do aumento geral, alguns dados foram mais otimistas. O grupo de Transportes apresentou uma queda de 0,46%, favorecido pela redução nos preços da gasolina e do etanol. Economistas, como Rafael Rondinelli da MAG Investimentos, notam que a desaceleração nos serviços pode ser um sinal positivo para o Banco Central.
Os núcleos de inflação que analisam itens subjacentes e serviços apresentaram um recuo, com a média caindo de 0,50% em abril para 0,45% em maio. Carlos Thadeu, economista da BGC Liquidez, acredita que essa desaceleração pode abrir espaço para um novo corte de juros.
Divisão de Opiniões sobre a Selic
A situação atual divide os economistas sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Enquanto alguns especialistas, como Helena Veronese da B.Side Investimentos, acreditam que a desaceleração oferece espaço para um corte de 25 pontos-base, outros alertam que a inflação elevada e as incertezas fiscais podem justificar a manutenção da taxa.
Olívia Flôres aponta que a inflação acima do teto da meta traz riscos e que decisões precipitadas sobre os juros não são confortáveis. Há uma percepção de que a situação fiscal complexa em Brasília também influencia essas expectativas.
Impactos Externos e Expectativas do Mercado
No cenário internacional, as negociações entre os Estados Unidos e o Irã estão sendo monitoradas, já que uma possível reabertura do Estreito de Ormuz poderia impactar os preços do petróleo. Peterson Rizzo, da Multiplike, sugere que uma redução nos preços do petróleo pode ajudar a aliviar a pressão inflacionária no Brasil, mas Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, adverte que isso não resolverá as pressões internas já presentes.
Antes da divulgação dos dados de maio, as apostas do mercado sobre a Selic estavam ligeiramente mudando, com uma leve preferência pela manutenção. Com isso, resta saber que influências o Banco Central considerará em sua próxima reunião agendada para os dias 16 e 17 de junho.
