A incontinência urinária é uma questão que afeta milhões de brasileiros, especialmente os idosos, e ainda é um assunto cercado de tabus. Na última segunda-feira (1º), um encontro na Fiesp, em São Paulo, reuniu especialistas e gestores para discutir a necessidade de tornar essa condição visível e parte da agenda pública de saúde.

A Invisibilidade da Incontinência

Pesquisadores apontam que a falta de discussão sobre a incontinência urinária contribui para a marginalização da saúde dos idosos nas políticas públicas. O pesquisador Peter Lloyd-Sherlock destacou que o silêncio em torno do tema é similar ao que existia sobre a pobreza menstrual antes de se tornar um assunto amplamente debatido.

Dados Alarmantes

Estudos revelam que cerca de 10% dos idosos brasileiros, mais de 3 milhões de pessoas, enfrentam sintomas de incontinência. Apesar de ser uma condição comum, o estigma social impede muitos de relatar suas dificuldades, resultando em subnotificação e lentidão no diagnóstico.

Desafios do Acesso a Cuidados

Uma pesquisa revelou que muitos idosos enfrentam dificuldades para obter fraldas do sistema público, incluindo a necessidade de laudos médicos e longas esperas. Além disso, a qualidade das fraldas fornecidas é frequentemente questionada, com relatos de vazamentos e tamanhos inadequados, levando ao uso de múltiplas unidades ao mesmo tempo.

Impacto na Saúde e Economia

A incontinência urinária gera não apenas desconforto, mas também custos adicionais com produtos de higiene. Lloyd-Sherlock alertou sobre a necessidade de discutir alternativas que promovam a autonomia dos idosos, como adaptações simples em casa e exercícios pélvicos.

Condições Inadequadas e Riscos

As condições dos banheiros em domicílios e instituições são frequentemente inadequadas, aumentando o risco de acidentes e contribuindo para a dependência de fraldas. A falta de espaços adaptados compromete a segurança dos idosos, levando-os a soluções improvisadas para suas necessidades diárias.

Revisão Necessária nas Práticas de Cuidado

A enfermeira Yeda Duarte enfatizou a importância de discutir higiene como um direito humano. Críticas foram feitas a práticas hospitalares que favorecem o uso de fraldas de forma indiscriminada, aumentando a dependência. A discussão sobre cuidados adequados deve incluir soluções simples, como o uso de urinóis noturnos, para evitar quedas e garantir a dignidade dos idosos.