Casey Harrell, um homem de 47 anos, vive com uma forma avançada de esclerose lateral amiotrófica (ELA), que afetou severamente sua capacidade de movimento e fala. Contudo, uma neuroprótese experimental tem transformado sua vida nos últimos dois anos. De acordo com informações da Science Alert, Harrell já conseguiu expressar mais de 183 mil frases e cerca de 2 milhões de palavras desde o início do uso do dispositivo.

A nova voz de Casey

A voz digital desenvolvida para Harrell foi projetada para se assemelhar à sua voz anterior à ELA. Em suas palavras, “é muito especial ter a capacidade de olhar nos olhos da minha esposa quando ela ouve minha voz”, destacando a importância emocional que a tecnologia trouxe para sua vida. Além disso, ele pode explicar para sua filha, que não se lembra de como ele falava, como era sua voz antes da doença.

Como a tecnologia funciona

O implante cerebral requer uma cirurgia para a instalação de conjuntos de eletrodos em uma área específica do cérebro. Mesmo sem mover a boca, o usuário tenta falar, e os sensores captam essa atividade cerebral. Um decodificador externo transforma os sinais em texto que aparece em uma tela de computador em tempo real.

Navegando com o olhar

Harrell utiliza a interface do dispositivo apenas com o olhar. Um cursor circular branco indica seu foco, permitindo que ele “clique” com o pensamento. O equipamento é montado em um carrinho móvel e o acompanha durante o dia após ser conectado com a ajuda de um cuidador pela manhã.

Resultados significativos

Graças à tecnologia, Harrell consegue enviar e-mails, mensagens, navegar na internet e até manter um emprego em tempo integral. Um modo de privacidade garante que nenhum dado seja salvo ou utilizado para treinar os modelos de decodificação de fala. Com mais de 400 dias de uso, sua velocidade média de comunicação atinge 56 palavras por minuto, um progresso significativo desde o início do uso da interface em 2023.

Futuro promissor

Harrell participa do estudo clínico BrainGate 2, que investiga a segurança e a viabilidade de interfaces cérebro-computador em pessoas com paraplegia e dificuldades severas de fala. A pesquisa, que conta com 26 participantes, é resultado de uma colaboração entre a Universidade da Califórnia, Davis, a Universidade Brown e o Mass General Brigham Neuroscience Institute.