O desmatamento em Minas Gerais, embora tenha mostrado uma leve redução nos últimos anos, ainda é alarmante. Em 2025, o estado ficou com a segunda maior área de Mata Atlântica destruída no Brasil, com 10.228 hectares de vegetação eliminada, de acordo com dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do INPE. O problema é exacerbado pela ilegalidade, já que 94% dessa remoção de vegetação ocorreu sem autorização.
Impactos no ciclo hídrico
A vegetação nativa é crucial para a manutenção do ciclo da água. As florestas atuam como reguladoras ambientais, absorvendo água do solo e liberando umidade que forma chuvas. Minas Gerais, conhecida como a "caixa d'água do Brasil", abriga nascentes de bacias hidrográficas essenciais, como as dos rios São Francisco, Doce e Grande. Portanto, a saúde dessas matas é vital para garantir o fluxo dos rios.
Consequências do desmatamento
Quando grandes áreas florestais são desmatadas, a umidade que deveria ser liberada na atmosfera diminui, prejudicando a formação de chuvas. Isso resulta em um clima mais seco e imprevisível, afetando não apenas o microclima local, mas também a disponibilidade de água em regiões que dependem dos rios mineiros.
Irregularidade das chuvas
Um dos principais efeitos do desmatamento é a irregularidade nas chuvas. Períodos de seca podem se prolongar e intensificar, enquanto as chuvas podem ocorrer de forma concentrada e violenta, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos em áreas urbanas.
Aumento das temperaturas
A falta de cobertura vegetal também contribui para o aumento das temperaturas. As florestas ajudam a refrescar o ambiente, e sua remoção pode criar "ilhas de calor", que afetam não apenas o campo, mas também as cidades vizinhas.
Impactos na agricultura e abastecimento
Essas mudanças climáticas têm repercussões diretas na agricultura, que depende de um regime de chuvas estável. A escassez de água compromete o abastecimento nas cidades e pode impactar a geração de energia nas hidrelétricas, resultando em aumento nas contas de luz.
Minas Gerais se posiciona como um ponto crítico, pois abriga a transição entre dois dos biomas mais ameaçados do Brasil. Enquanto a Mata Atlântica enfrenta sérios problemas, o Cerrado, especialmente em áreas como o Vale do Jequitinhonha, também sofre com o avanço da devastação. A destruição em ambas as frentes acelera a perda de biodiversidade e intensifica os desequilíbrios climáticos, afetando regiões além das fronteiras do estado.
