O Brasil alcançou em 2024 a menor taxa de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, com dados que revelam uma redução significativa. O estudo, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta uma taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, o que representa uma diminuição de 7,4% em comparação a 2023.

Números absolutos e queda histórica

No total, foram contabilizados 42.590 homicídios em 2024, refletindo uma queda de 6,9% em relação ao ano anterior. A análise dos dados coletados entre 2014 e 2024 indica uma redução de 33,4% na taxa nacional de homicídios, com o número total de assassinatos caindo 29,6%. Esse panorama, no entanto, esconde um problema crescente de subnotificação.

Desigualdade entre estados

O Amapá foi a única unidade da Federação a registrar um aumento considerável tanto na taxa de homicídios (+30,2%) quanto no número absoluto (+41,8%). A pesquisa mostrou que, enquanto estados como Tocantins e Sergipe tiveram quedas significativas, a percepção de insegurança da população continua alta, evidenciando uma contradição em meio à redução dos índices.

Desafios na coleta de dados

O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, destacou que, apesar da redução histórica nos homicídios, a qualidade dos dados coletados em 2024 surpreendeu os pesquisadores, pois o número de mortes violentas por causas indeterminadas aumentou. Esses dados complicam ainda mais o combate à violência, uma vez que muitos homicídios não são corretamente classificados.

Mortes violentas por causa indeterminada

Em 2024, 3.311 casos de Mortes Violentas por Causa Indeterminada foram registrados, um crescimento de 23,8% em relação a 2023. Aproximadamente 41% destas mortes são consideradas homicídios ocultos, o que aumenta a necessidade de uma melhor integração entre as autoridades de saúde e segurança pública.

Perspectivas para o futuro

Embora a taxa de homicídios estimados tenha caído 26,9% entre 2014 e 2024, o Atlas aponta que persiste uma desigualdade territorial significativa, com estados como Amapá e Pernambuco apresentando aumentos. O desafio do Brasil agora é lidar com essa dualidade de queda nos homicídios e o aumento da insegurança percebida pela população.