O mercado de crédito no Brasil está passando por uma transformação significativa com a ascensão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Essa mudança está permitindo que esses fundos assumam um papel que antes era dominado pelos bancos, gerando novas oportunidades e também riscos para os investidores.
Uma nova era para o crédito
No programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, João Peixoto Neto, presidente da Ouro Preto Investimentos, discutiu como os FIDCs estão moldando o futuro do crédito. Tradicionalmente, apenas os bancos podiam emprestar e captar recursos, mas a evolução do mercado de capitais permitiu que empresas emitam títulos diretamente ao público.
A estrutura dos FIDCs
Os FIDCs funcionam como fundos que reúnem carteiras de crédito, permitindo aos investidores acessarem esse tipo de ativo. De acordo com Peixoto Neto, esses fundos são “revolventes”, ou seja, o dinheiro recebido dos pagamentos de empréstimos é reinvestido em novos créditos. A estrutura dos FIDCs inclui duas camadas principais: a cota sênior, que busca rentabilidade similar à renda fixa, e a cota subordinada, que assume perdas inicialmente, mas também compartilha os lucros.
Quem se beneficia com os FIDCs?
Os clientes dos FIDCs são diversos, incluindo fintechs que financiam nichos específicos, como crédito estudantil e antecipação de comissões de corretores. Montadoras de veículos também estão se adaptando a esse novo formato, optando por montar FIDCs em vez de bancos, uma prática que promove a desintermediação do crédito.
Desafios e riscos à vista
Peixoto Neto alerta que o crescimento dos FIDCs trará inevitavelmente desafios. Ele menciona que a explosão desse mercado pode levar à exposição de operações mal estruturadas, além de possíveis fraudes. A concentração de risco é uma preocupação central, sendo ideal que os FIDCs tenham carteiras diversificadas para mitigar a inadimplência.
Critérios de seleção e tendências futuras
O gestor recomenda que a seleção de ativos nos FIDCs se concentre em teses escaláveis e com prazos curtos. Um exemplo promissor citado é o crédito consignado privado, que tem mostrado crescimento expressivo. Por outro lado, financiamento de veículos é visto com cautela, devido à dificuldade de recuperação em caso de inadimplência.
Uma revolução no mercado de crédito
Peixoto Neto compara a transformação no setor de crédito à revolução na comunicação, destacando como a descentralização do crédito pode seguir um caminho semelhante ao que ocorreu com a mídia. Ele acredita que, com o tempo, as gestoras independentes poderão superar os bancos em volume de recursos administrados, apesar dos desafios regulatórios e da resistência dos bancos, que já começam a adquirir gestoras para se manter competitivos.
