Um relatório divulgado pelo governo dos Estados Unidos aponta o desmatamento ilegal na Amazônia como um dos principais motivos para a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O documento também menciona o uso de trabalho forçado na produção de gado, justificado com a intenção de aplicar tarifas adicionais a países que não proíbem a importação de mercadorias associadas a essa prática.

Acusações e Omissões

Segundo a investigação, o Brasil estaria permitindo a comercialização de produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente, criando uma vantagem competitiva considerada desleal. Embora utilize dados de desmatamento, o relatório se baseia em informações desatualizadas, como os altos índices de 2021, que ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro, ignorando a queda significativa do desmatamento nos últimos anos.

Fiscalização e Tecnologias

O documento critica a falta de fiscalização adequada e investimento em tecnologia, alegando que não há auditorias suficientes para detectar irregularidades. Contudo, especialistas rebatem, destacando que o Brasil possui um sistema avançado de monitoramento via satélite e que esforços têm sido feitos para rastrear a origem dos produtos.

Dados do Desmatamento

O relatório revela que, entre 2023 e 2024, 91% do desmatamento na Amazônia foi ilegal. Apesar disso, o Brasil registrou a menor taxa de desmatamento em mais de dez anos em 2025, com uma queda de 11%. Especialistas afirmam que usar dados defasados para justificar punições é uma abordagem equivocada.

Isenções do Tarifaço

Embora o relatório vincule desmatamento à pecuária e exploração de madeira, os EUA isentaram produtos desses setores das tarifas. Cortes de carne bovina e vários tipos de madeira, incluindo espécies vulneráveis, estão livres de taxação, o que levanta questionamentos sobre a coerência da posição americana.

Desafios e Avanços

Apesar das críticas, o Brasil tem avançado em mecanismos de rastreamento e controle de produtos, como o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos. Especialistas alertam que as dificuldades enfrentadas no combate ao desmatamento não devem ser usadas como justificativa para penalizar todo o setor produtivo.