No último dia 3 de junho, em Paris, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, teve uma conversa com Jamieson Greer, representante do comércio exterior dos Estados Unidos. O encontro, que ocorreu durante a Cúpula da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), centrou-se na necessidade de manter um diálogo sobre as tarifas comerciais que os EUA anunciaram contra produtos brasileiros.

Investigações comerciais e tarifas

Greer, que lidera o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), finalizou duas investigações contra o Brasil, sugerindo tarifas de 25% por práticas comerciais desleais e 12,5% devido ao uso de trabalho forçado. Essas investigações estão fundamentadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O chanceler brasileiro expressou a disposição do Brasil para negociar desde o início das investigações em julho de 2025. Ele enfatizou a importância de intensificar as negociações, especialmente considerando que o prazo para as tratativas ainda está vigente.

Desconforto no governo brasileiro

A aplicação das tarifas pelos Estados Unidos gerou desconforto no governo brasileiro, uma vez que a taxa de 25% foi proposta apenas contra o Brasil, mesmo com mais de 70 países sob investigação. O Brasil já enviou quatro documentos em resposta às acusações, mas essas informações não foram consideradas no relatório que sugere as tarifas.

Além disso, fontes próximas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicam que Greer demonstrou descontentamento com a postura do Brasil em discussões recentes. Em uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, Greer abordou o tema das tarifas e teria se mostrado crítico em relação à condução do comércio brasileiro.

Implicações nas negociações internacionais

As tensões também se manifestaram em um debate na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o Brasil, juntamente com a Turquia, se opôs à prorrogação da moratória do comércio eletrônico. Essa discordância dificultou a formação de um consenso, e Greer chegou a acusar os países de estarem obstruindo as discussões na OMC.