Na última quinta-feira (28), os Estados Unidos designaram as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, uma decisão que deve impactar diretamente o controle financeiro em empresas brasileiras. Analistas apontam que essa ação pode levar instituições financeiras a reforçar suas medidas de combate à lavagem de dinheiro.

Impacto Indireto nas Empresas

A nova classificação ocorre em um contexto de revisão das definições relacionadas ao narcoterrorismo pelo governo Trump, que tem intensificado operações na América Latina. Essa designação permite que o governo americano implemente medidas severas contra indivíduos e entidades que apoiem essas organizações, incluindo criminalização de apoio material e bloqueio de recursos.

Restrições aos Negócios

De acordo com Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, empresas que se relacionam com o CV ou PCC poderão enfrentar restrições de negócios nos EUA. Isso pode incluir a proibição de acessar serviços financeiros ou operações em plataformas digitais, caso estejam associadas a essas facções.

Aumento na Vigilância

Thiago Amâncio, consultor da Control Risks, ressalta que a medida amplia a legislação americana, permitindo ações contra qualquer pessoa ou entidade que forneça suporte a essas organizações. Isso significa que empresas podem ser afetadas ao se associarem a instituições financeiras que venham a ser investigadas por lavagem de dinheiro.

Setores em Foco

Segundo Fabyola Rodrigues, sócia do Demarest, o efeito mais significativo será sentido em setores que operam com transações em dólar e que estão sujeitos a padrões regulatórios dos EUA, como comércio exterior e logística. Já Thiago Jabor Pinheiro, do Mattos Filho, destaca que mesmo setores sem obrigações regulatórias, como o varejo, devem reforçar seus controles internos.

Críticas ao Governo dos EUA

O governo brasileiro, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a designação das facções, alertando que isso pode prejudicar o sistema financeiro nacional, incluindo inovações como o Pix. Santacreu menciona que, embora o Pix seja amplamente utilizado, também pode ser explorado por organizações criminosas, levantando preocupações sobre o futuro do sistema.

Ainda existem muitas incertezas sobre o impacto real dessa medida no Brasil. Santacreu questiona como os EUA poderiam bloquear operações financeiras dentro do país sem um cenário extremo. Por outro lado, Daniel Domeneghetti, do grupo ECC, sugere que as ameaças ao Pix podem incentivar o uso de alternativas como stablecoins e transações em moedas não oficiais.