Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Alana, em parceria com o Instituto Equidade.Info, revelou que 40% das alunas brasileiras faltam às aulas ao menos uma vez por mês devido a sintomas menstruais. Este problema também afeta 12% das professoras, que justificam suas ausências por questões semelhantes.

Dados da Pesquisa

O estudo, divulgado na última terça-feira, foi realizado com 2,5 mil estudantes e 303 docentes do Ensino Médio e Fundamental, abrangendo tanto escolas públicas quanto privadas em diversas regiões do Brasil. Entre os principais sintomas reportados, a cólica menstrual foi mencionada por 57,7% das alunas.

Outros Sintomas Relatados

Além da cólica, as alunas relataram outros sinais que impactam sua frequência escolar, como:

  • Cansaço e dor no corpo (30%)
  • Dor de cabeça (28%)
  • Vergonha e medo de vazamento (19%)
  • Falta de banheiro ou produtos de higiene (8%)

Consequências para a Educação

Guilherme Lichand, professor da Universidade de Stanford e supervisor da pesquisa, ressaltou que as meninas faltam mais à escola em comparação aos meninos e que a intensidade da dor menstrual está diretamente relacionada ao absenteísmo. Ele enfatizou que, se essas questões não forem tratadas, o direito à educação dessas jovens não será garantido.

Saúde Pública e Políticas Educacionais

A pesquisa levanta a preocupação de que a dor menstrual deve ser abordada como uma questão de saúde pública. Especialistas defendem a implementação de políticas que integrem a educação e considerem as justificativas para faltas, além de promover cuidado integral para as estudantes.

Compreensão sobre Menstruação

Outro ponto importante abordado no estudo é a falta de compreensão sobre a menstruação como um tema coletivo nas escolas. Entre os meninos, 36,8% afirmam não pensar muito sobre o assunto, enquanto apenas 19,7% das meninas compartilham essa visão. A pesquisa também revelou que 36,5% das alunas começam a menstruar antes dos 10 anos, e 65,2% até os 11 anos.

Sofia Reinach, líder da iniciativa de saúde menstrual do Instituto Alana, destacou a importância de incluir meninos e meninas na discussão sobre menstruação desde o início do Ensino Fundamental, para que a dor menstrual seja reconhecida como um fator que impacta a vida escolar.