Nesta manhã de quarta-feira (17), o dólar registra uma leve desvalorização, seguindo uma tendência oposta ao cenário global, enquanto investidores aguardam as decisões sobre juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Cenário Geopolítico
O presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizou que o acordo preliminar com o Irã não é definitivo e não hesitará em retomar ações militares no Oriente Médio, caso necessário. Esse clima de incerteza geopolítica tem impacto direto nos mercados.
Às 10h12, a cotação do dólar à vista apresentou uma queda de 0,32%, estabelecendo-se em R$ 5,072, enquanto a Bolsa brasileira registrou uma alta de 0,61%, alcançando 170.678 pontos. Na terça-feira, o dólar havia encerrado em alta de 0,55%, cotado a R$ 5,089, e a Bolsa havia recuado 0,45%, a 169.646 pontos.
Impactos do Petróleo e Aversão ao Risco
Os mercados estão atentos ao anúncio de um acordo preliminar para a resolução do conflito no Oriente Médio, o que tem reduzido os preços do petróleo no mercado internacional. Isso afeta diretamente o Brasil, um grande exportador de petróleo, que se viu descolado do otimismo global.
O movimento de desinvestimento nos mercados emergentes em favor do setor de tecnologia nos Estados Unidos também está em evidência. A aversão aos ativos brasileiros foi reforçada por uma recente pesquisa eleitoral que mostra uma vantagem de 12 pontos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o pré-candidato Flávio Bolsonaro, o que tem gerado receios sobre a política fiscal em um possível novo governo Lula.
Reação do Mercado
Embora as pesquisas eleitorais não tenham iniciado oficialmente, os mercados brasileiros já estão reagindo negativamente a resultados que indicam uma possível vitória de Lula. Essa percepção de que um novo governo poderia adotar uma política fiscal mais flexível tem gerado incerteza entre os investidores.
No cenário internacional, os índices europeus fecharam em alta, enquanto o mercado norte-americano apresentou resultados mistos, com o Dow Jones atingindo um novo recorde histórico de 52.190 pontos antes de fechar em alta de 0,6%. Por outro lado, o S&P 500 e o Nasdaq Composite recuaram em meio a um movimento de realização de lucros.
Expectativas de Juros
A atenção dos investidores se volta agora para a chamada “superquarta”, dia em que serão definidas as taxas de juros pelo Copom e pelo Fed. A expectativa é de que o comitê brasileiro reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25%. Nos Estados Unidos, a maioria das projeções aponta para a manutenção da taxa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Essa será a primeira reunião sob a liderança do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, e os investidores estarão especialmente atentos a seus comentários sobre temas como inflação, desemprego e as perspectivas econômicas para o futuro.
