Um estudante de 16 anos fez uma denúncia de racismo contra o diretor da Escola Estadual Maurício Murgel, localizada no Bairro Nova Suíssa, em Belo Horizonte. O incidente ocorreu na quarta-feira (27/5) e gerou grande repercussão entre os alunos da instituição.
O que aconteceu
De acordo com relatos, o diretor, de 61 anos, fez um comentário sobre o pente-garfo que o jovem utilizava, afirmando que não via um objeto desse tipo desde a década de 1970. Ele teria complementado que o aluno só usava o utensílio porque não conseguiria manter outro estilo de cabelo.
Após o comentário, o estudante tentou conversar com o diretor para pedir desculpas, mas se sentiu desrespeitado e foi ameaçado com a possibilidade de acionar as autoridades. Isso levou os responsáveis pelo aluno a serem chamados à escola e a intervenção da Polícia Militar.
Reação dos alunos
A comunidade escolar reagiu rapidamente à situação. Um grupo de estudantes se organizou para protestar em frente à escola, expressando sua indignação com os comentários do diretor. Nas redes sociais, imagens dos protestos circularam, mostrando os alunos gritando palavras de ordem como "racista" em direção ao gestor.
Um momento emblemático do protesto foi registrado quando o estudante, em ato de resistência, passou o pente-garfo em seu cabelo diante do diretor, simbolizando a luta contra o preconceito.
Versão do diretor
O diretor, ao ser abordado pela Polícia Militar, apresentou uma versão diferente do ocorrido. Ele confirmou a menção ao pente-garfo, mas afirmou que sua frase seguinte foi: “Você quer ficar bonito, né?”. O gestor também comentou que ficou surpreso com a mobilização rápida dos alunos e alegou que as informações sobre o incidente estavam distorcidas.
Providências da Secretaria de Educação
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou que a Superintendência Regional de Ensino Metropolitana B está investigando a situação. Um Serviço de Inspeção foi designado para elaborar um relatório detalhado sobre o que ocorreu na escola.
Além disso, o Núcleo de Acolhimento Educacional (NAE) foi acionado para oferecer suporte psicológico e social a todos os envolvidos, buscando minimizar os impactos do incidente na comunidade escolar.
