A decisão do governo dos Estados Unidos de rotular o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas rapidamente se tornou um tema central na disputa presidencial brasileira. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e teve repercussões imediatas entre os pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

Reação dos pré-candidatos

Logo após o anúncio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou a medida para reforçar seu discurso contra o crime organizado e destacar as diferenças em relação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio associou a decisão à sua viagem a Washington, afirmando que o secretário americano atendeu a um pedido seu e do ex-presidente Donald Trump.

Em suas redes sociais, o senador se mostrou otimista e, vestido com a camisa da seleção brasileira, declarou que fez mais pelo país em sua viagem do que o PT em anos de mandato, criticando a perda de soberania do Brasil em áreas dominadas por facções criminosas.

Críticas ao governo federal

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também se manifestou sobre a decisão, utilizando-a para criticar a postura do governo federal. Em um pronunciamento, ele destacou a diferença entre governos que priorizam o combate ao crime organizado e aqueles que, segundo ele, são mais condescendentes.

Caiado enfatizou: “Os EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho como terroristas. Lula os classifica como vítimas. Essa é a diferença entre um governo que protege o povo e um governo que protege o crime. Chega de PT. Chega de narcotráfico.”

Posição do governador de Minas Gerais

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também capitalizou a decisão americana. Em um vídeo, Zema afirmou que o PT argumenta que tratar facções como terroristas ameaça a soberania do Brasil, mas ele rebateu dizendo que a soberania já foi roubada e que Lula não tomou providências a respeito.

Segundo Zema, o debate sobre soberania nacional não deveria impedir ações mais rigorosas contra organizações criminosas, reforçando a necessidade de medidas eficazes no combate ao crime.

Impacto na campanha de 2026

A decisão dos EUA, que entrará em vigor em junho e ampliará as sanções financeiras e investigativas contra pessoas ou entidades ligadas ao PCC e CV, promete ser um tema relevante na campanha eleitoral de 2026. A discussão sobre segurança pública, uma das principais preocupações do eleitorado, se confirma como um ponto de divergência entre os pré-candidatos.

Assim, a classificação das facções como terroristas se transforma em um símbolo das diferentes visões sobre como combater o crime organizado, a cooperação internacional e o papel do Estado no enfrentamento das organizações criminosas.