Um recente estudo da Rede Multiatores MUDE com Elas, realizado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), aponta que o desemprego entre mulheres negras jovens chega a alarmantes 24,7%. Este dado revela a persistência de desigualdades no mercado de trabalho, mesmo em um cenário de melhora geral nas taxas de desemprego e aumento de renda.
Desigualdade em diferentes faixas etárias
O levantamento, que utiliza dados da PNAD Contínua 2025 do IBGE, mostra que a desocupação atinge 24,7% entre mulheres negras de 14 a 17 anos, um índice 1,4 vez maior em comparação aos homens brancos da mesma faixa etária. Para jovens de 18 a 24 anos, a situação se agrava, com uma taxa de 16,5% para elas, 1,6 vez superior à dos homens brancos.
Na faixa etária de 25 a 29 anos, as mulheres negras enfrentam uma taxa de desocupação de 10,3%, quase o dobro da observada entre mulheres brancas e 2,8 vezes maior que a dos homens brancos. Esses dados evidenciam que, apesar de avanços na educação e na renda, as desigualdades estruturais permanecem presentes.
Fatores que influenciam o cenário
A coordenadora da Rede Multiatores pelo Ceert, Shirley Santos, afirma que o problema não se limita apenas ao acesso à educação, mas também se relaciona a mecanismos de exclusão como racismo estrutural e desigualdade no acesso a oportunidades. A localização geográfica também exerce um papel significativo, já que mulheres de áreas periféricas enfrentam diversos obstáculos, incluindo mobilidade urbana e acesso a serviços públicos.
Renda e informalidade
A diferença de renda é outro aspecto preocupante. Em 2025, as mulheres negras recebiam, em média, 46,5% do que ganhavam os homens brancos. A informalidade entre jovens negras é de 39,1%, superando em 10% a taxa de jovens brancas. O segmento mais vulnerável neste aspecto é o de homens negros, com uma taxa de 44,2% de informalidade.
Desalento e desigualdade regional
O desalento, que representa aqueles que desistiram de procurar emprego, revela outra faceta da situação. As mulheres negras correspondem a 38,7% dos jovens desalentados no Brasil, com a taxa subindo para 44,2% entre as que têm entre 25 e 29 anos. Em regiões como a Metropolitana de São Paulo, a diferença salarial é ainda mais acentuada, com jovens mulheres negras recebendo R$ 2.236 em comparação aos R$ 3.926 dos homens brancos.
Necessidade de políticas públicas eficazes
Embora as cotas raciais sejam um passo positivo, o estudo indica que são insuficientes para solucionar os problemas de forma rápida. Shirley destaca a necessidade de políticas públicas abrangentes que garantam acesso à educação, mobilidade social, e inclusão no mercado de trabalho. Algumas estratégias sugeridas incluem programas de permanência estudantil, ampliação do acesso a creches, e incentivos à formalização do trabalho.
Para concluir, Shirley Santos enfatiza que o combate às desigualdades raciais exige investimentos públicos e o comprometimento da sociedade. Uma transformação eficaz no mercado de trabalho e na educação só será possível com a superação das barreiras estruturais que ainda predominam na sociedade brasileira.
