Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, ou FIDCs, estão se tornando uma opção atraente para investidores que buscam retornos superiores aos oferecidos por debêntures de risco semelhante. Segundo Jean-Pierre Cote Gil, sócio e gestor da Vinland Capital, a diferença de retorno não se deve exclusivamente a um maior risco de crédito, mas é resultado de uma combinação de fatores como menor liquidez e complexidade na análise dos ativos.

Prêmios e Oportunidades

De acordo com a gestora, esse diferencial pode chegar a 200 pontos-base ao ano em comparação a uma debênture equivalente. Para investidores dispostos a se aprofundar nas operações, os FIDCs representam uma oportunidade ainda subestimada no mercado.

Vantagens Jurídicas

A Vinland Capital, com cerca de quatro anos de atuação, prioriza os FIDCs em relação à dívida com garantia, devido a aspectos jurídicos favoráveis. Quando um FIDC adquire uma carteira de recebíveis, o ativo passa a ser de sua propriedade, facilitando a execução em caso de inadimplência da empresa devedora.

Desafios na Prática

Apesar das vantagens, existem nuances a serem consideradas. É crucial que a cessão dos ativos esteja formalizada e que o papel do emissor seja auditado, além de eventuais questões operacionais. Quando a estrutura está adequada, no entanto, os benefícios são palpáveis.

Negociação e Liquidez

O gestor destaca que, mesmo com um bom ativo, a negociação de FIDCs pode ser complexa. O mercado secundário ainda não é totalmente desenvolvido, o que pode dificultar a marcação a mercado para fundos com resgates rápidos.

Tipos de Crédito nos FIDCs

Entre os créditos que os FIDCs costumam incluir, o consignado se destaca, especialmente o federal, que tem um histórico consolidado e previsibilidade. O consignado privado, que permite desconto direto na folha de pagamento, é visto como uma opção intermediária, com um risco mais baixo que o crédito pessoal sem garantia.