Na última terça-feira (26), um grupo de deputados estaduais da oposição em Pernambuco revelou um relatório que expõe sérias denúncias sobre a saúde pública no estado. Segundo os parlamentares, desde 2022, houve uma queda de R$ 1,5 bilhão nos investimentos na área, o que resultou em diversos problemas, como a diminuição da oferta de leitos e superlotação nos hospitais.
Alegações de cortes
O deputado Sileno Guedes (PSB), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), apresentou dados que indicam uma redução significativa nos recursos destinados à saúde. Ele afirmou que a situação é alarmante, com hospitais enfrentando superlotação e a população sofrendo com a falta de atendimento adequado.
Apesar de o governo cumprir a exigência constitucional de investir 12% da receita na saúde, Guedes argumentou que houve uma queda de 3% nos gastos, o que se traduz em um impacto negativo na estrutura dos hospitais. O relatório aponta que, entre 2022 e 2026, foram fechados 226 leitos na rede estadual.
Dados sobre investimentos
O levantamento mostrou que os investimentos na saúde caíram de 18,8% da receita corrente líquida em 2022, para 17,4% em 2023. Essa diminuição continuou com 15,7% em 2024 e 15,8% em 2025. O deputado destacou que essa redução representa uma perda significativa de recursos, que afeta diretamente a qualidade do atendimento à população.
Encaminhamentos fiscais
Rodrigo Farias (PSB), vice-presidente da Alepe, afirmou que os dados coletados serão enviados a órgãos como o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público de Pernambuco para que sejam tomadas providências. Ele enfatizou a importância da fiscalização legislativa para garantir melhorias na saúde pública do estado.
Condições precárias nos hospitais
O relatório também revelou condições alarmantes em alguns hospitais, como o Hospital da Restauração, onde recipientes plásticos estariam sendo usados para a coleta de urina dos pacientes. Além disso, no Hospital Agamenon Magalhães, foram encontradas fezes e urina de ratos em áreas de armazenamento de equipamentos médicos, evidenciando a precariedade das instalações.
Respostas do governo
A governadora Raquel Lyra (PSD) foi questionada sobre as denúncias durante uma visita a outro hospital, onde admitiu a superlotação, mas negou que houvesse cortes nos investimentos. Ela assegurou que, em 2025, o governo realizou o maior investimento na saúde dos últimos anos, embora não tenha divulgado valores específicos. A secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti, também negou a redução de leitos, afirmando que o estado abriu 670 novos leitos e que novas reformas estão em andamento.
