No primeiro trimestre de 2026, a economia argentina continua a mostrar um crescimento consistente, registrando um aumento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado é impulsionado principalmente pelas exportações, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas (Indec), embora também se observe uma deterioração no poder de compra e no emprego da população.
Desempenho do PIB e Setores em Alta
O PIB argentino também cresceu 0,7% em termos dessazonalizados em relação ao trimestre anterior. Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram a agropecuária, a pesca, a mineração e a intermediação financeira. Em contrapartida, a indústria de transformação e o comércio varejista apresentaram resultados negativos, com quedas de 1,7% e 0,3%, respectivamente.
Comemorações e Críticas
O ministro da Economia, Luis Caputo, celebrou o crescimento em uma postagem na rede social X, destacando o aumento das exportações e um “máximo histórico” no consumo privado, que subiu 2,7%. No entanto, o economista Andrés Asiaín, do Centro Scalabrini Ortiz, alertou que o aumento do consumo está relacionado a uma redistribuição de renda desigual, favorecendo setores específicos através das importações e do turismo no exterior.
Impactos do Consumo Privado
O consumo privado inclui gastos com produtos importados e despesas de argentinos no exterior, o que pode não beneficiar diretamente o comércio local. Segundo Guido Zack, da Fundar, o crescimento do indicador não necessariamente resulta em uma melhoria no padrão de vida da população.
Desafios Econômicos e Inadimplência
A Argentina atraiu significativos investimentos, especialmente nas áreas de mineração e hidrocarbonetos, oferecendo isenções tributárias por 30 anos. No entanto, a economia parece avançar em direções opostas, com setores exportadores crescendo enquanto a indústria e o comércio enfrentam dificuldades. A inadimplência das famílias atinge níveis recordes, saltando de 3,7% em abril de 2025 para 12,1% em abril de 2026.
Taxa de Desemprego e Informalidade
No primeiro trimestre, a taxa de desemprego foi de 7,8%, um aumento significativo em relação aos 5,7% registrados quando o presidente Javier Milei assumiu o cargo. A informalidade no mercado de trabalho também se agravou, alcançando 44% em abril. Florencia Fiorentin, economista-chefe da Epyca Consultores, ressaltou que os setores em crescimento, como a mineração, não geram muitos empregos, ao passo que os que enfrentam quedas concentram a maior parte das contratações.
