Em 2025, o Brasil viu um crescimento significativo nas cobranças de dívidas condominiais, com um impressionante aumento de 569% nos registros de protesto. Segundo o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil (IEPTB), o número de documentos enviados a cartórios saltou de 15.071 em 2024 para 100.815 no ano passado, marcando o maior crescimento desde o início das medições em 2020.
Impacto Financeiro
Os valores das dívidas também apresentaram um aumento expressivo, passando de R$ 29,5 milhões para R$ 199,4 milhões, o que equivale a uma alta de 577%. Essa mudança reflete uma nova abordagem dos síndicos e administradoras, que agora preferem utilizar os cartórios como ferramenta de cobrança ao invés de recorrer diretamente ao sistema judiciário.
Resoluções e Recuperação
O levantamento indicou que 35,7% das dívidas apresentadas em 2025 foram resolvidas, seja por meio de pagamentos, acordos ou cancelamentos de cobrança. Ao todo, 34.528 débitos foram regularizados, resultando na recuperação de aproximadamente R$ 70 milhões, demonstrando a eficácia dessa nova estratégia.
Agilidade nos Pagamentos
Outro dado interessante é que muitos pagamentos foram realizados rapidamente após a notificação. Quase 15% das dívidas resolvidas foram quitadas nos três primeiros dias após a notificação, enquanto 16% dos pagamentos ocorreram após o protesto ser efetivado.
Mudança de Comportamento
André Gomes Netto, presidente do IEPTB, destaca que esses números refletem uma mudança no comportamento financeiro dos condomínios, com cobranças feitas de forma mais antecipada, resultando em pagamentos mais rápidos. A utilização dos cartórios diminui a dependência de processos judiciais, que podem ser longos e complicados.
Tendência para 2026
Apesar do aumento na recuperação de créditos, grande parte das dívidas ainda permanece pendente. Aproximadamente 61% das cobranças levadas a protesto em 2025 não foram pagas até o fim do ano. Com isso, os devedores podem enfrentar dificuldades em obter empréstimos e financiamentos. Os dados preliminares de 2026 mostram que essa tendência de alta se mantém, com 26.866 dívidas registradas apenas no primeiro trimestre, somando R$ 42,8 milhões.
