A Biblioteca Sinhá Junqueira, localizada no Centro de Ribeirão Preto (SP), é um local que guarda a memória de uma mulher que se destacou na história da cidade. Theolina Zemila de Andrade Junqueira, mais conhecida como Sinhá Junqueira, foi uma filantropa e administradora de um dos maiores patrimônios da região no século 20.
História de Sinhá Junqueira
Segundo o livro 'A Eterna Dama Sinhá Junqueira', de Adriana Silva e outros autores, ela nasceu em 1874, na cidade de Franca (SP). Em 1891, casou-se com o coronel Francisco Maximiano Junqueira, o conhecido coronel Quito Junqueira, e a partir desse momento passou a ser chamada de Sinhá Junqueira.
O casal, que não teve filhos, fez parte do crescimento econômico do interior paulista durante o auge do ciclo do café. Em 1912, mudaram-se para Ribeirão Preto, onde residiram em um casarão na Rua Duque de Caxias, no centro da cidade.
Contribuições e legado
Com a crise do café nas primeiras décadas do século 20, Sinhá Junqueira e seu marido diversificaram seus investimentos, mantendo ativos em vários setores do agronegócio. O patrimônio acumulado fez com que a família se tornasse uma das mais influentes da região.
Após a morte de Quito Junqueira, em 1938, a administração dos bens da família ficou sob os cuidados de Sinhá Junqueira. Ela expandiu as iniciativas assistenciais da família, sendo fundamental na criação do Educandário Coronel Quito Junqueira, que começou como orfanato e se transformou em uma instituição educacional ainda ativa.
Em 1950, fundou a Fundação Sinhá Junqueira, que promove projetos nas áreas de educação, cultura e saúde. Outro marco importante foi a criação do Hospital e Maternidade Sinhá Junqueira, que também faz parte de seu legado.
Transformação do casarão
Após o falecimento de Sinhá Junqueira, em 1954, o casarão onde viveu passou por um processo de restauração. Inicialmente, foi transformado na Biblioteca Altino Arantes, em homenagem a um parente da família. Posteriormente, recebeu o nome de Biblioteca Sinhá Junqueira.
Adquirido pela Prefeitura de Ribeirão Preto em 1983 e tombado como patrimônio histórico, o imóvel conserva características da arquitetura do período cafeeiro e continua a ser um espaço cultural, oferecendo atividades, oficinas e acesso ao acervo para a população.
