Os ciclones tropicais são conhecidos por sua força e destrutividade, mas sua influência no ciclo global do carbono sempre gerou debates. Pesquisadores internacionais quantificaram pela primeira vez essa contribuição, utilizando dados diários sobre o fluxo de carbono entre a atmosfera e os oceanos. A pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience, mostra que, embora os ciclones ainda emitam mais carbono do que absorvem, essa emissão está diminuindo rapidamente.

Resultados da pesquisa

Atualmente, os oceanos absorvem entre 20% e 30% do CO₂ gerado pela atividade humana. Os ciclones, com seus ventos fortes, perturbam significativamente a camada superficial do mar, dificultando a análise de seu impacto. A nova pesquisa conseguiu compilar dados variados para entender melhor o fluxo global de CO₂.

Os resultados são contundentes: os ciclones tropicais ainda são emissores líquidos de carbono, liberando mais do que conseguem absorver. Os ventos intensos promovem uma maior transferência de CO₂ do mar para a atmosfera, embora o resfriamento da superfície após as tempestades ajude a reduzir essa emissão, permitindo alguma absorção.

Queda na emissão de carbono

A pesquisa também revela que a contribuição dos ciclones tropicais para a emissão de carbono caiu drasticamente. Na segunda metade da década de 1990, eles representavam cerca de 16% do fluxo global anual de carbono, enquanto entre 2016 e 2020 essa porcentagem despencou para apenas 4,5%. O aquecimento global é um dos principais responsáveis por essa mudança.

Com as temperaturas aumentando, a superfície do oceano aquece mais rapidamente do que as camadas mais profundas, gerando um gradiente vertical acentuado. Ciclones de mesma intensidade agora criam um resfriamento mais intenso, o que potencializa a absorção de CO₂ pelos oceanos após a passagem das tempestades.

O futuro até 2035

Se as emissões de CO₂ continuarem elevadas, modelos indicam que os ciclones tropicais poderão inverter seu papel até 2035, passando a absorver mais carbono do que liberam. Embora isso pareça positivo, a realidade é preocupante, pois uma maior absorção de CO₂ pode acelerar a acidificação dos oceanos, afetando diretamente a química da água e diminuindo habitats para diversas espécies marinhas.

O estudo foi realizado por uma equipe da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa da China, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA e do Centro Helmholtz GEOMAR para Pesquisa Oceânica, na Alemanha. Os autores enfatizam que o futuro dos ciclones tropicais está nas mãos das decisões humanas. Se as emissões forem controladas, a tendência de queda no fluxo de carbono oriundo desses fenômenos não deverá se inverter antes de 2040.

Urgência na mitigação

A mensagem principal é clara: até mesmo os fenômenos naturais mais potentes estão sendo impactados pelo aquecimento global, e as consequências disso podem afetar não apenas o clima, mas também a química dos oceanos. O que antes era uma área de incerteza agora se transforma em um alerta sobre a necessidade urgente de mitigar as emissões de gases de efeito estufa.