Thaiz D., de 45 anos, é um exemplo da luta diária de muitas mulheres que se tornam responsáveis financeiras pela família. Após uma série de dificuldades, incluindo a morte da mãe e a criação da filha sozinha, ela enfrenta desafios para equilibrar as finanças. "O salário que recebo mal é suficiente para cobrir as despesas básicas", declara, ressaltando que suas pequenas economias são destinadas a um CDB.

Pesquisa Revela a Realidade Financeira das Mulheres

A pesquisa "Elas pagam a conta: mulheres, dinheiro e a conta que não fecha", realizada pelas organizações Think Olga e Think Eva, mostra que a trajetória de Thaiz é comum. Muitas mulheres que trabalham arduamente acabam tendo seus planejamentos financeiros comprometidos pelo peso das responsabilidades familiares.

De acordo com Maíra Liguori, cofundadora das organizações, as mulheres são percebidas como mais conservadoras nos investimentos, mas isso não reflete a realidade completa. "Não é que elas não tenham apetite por risco, mas sim que não dispõem de recursos para serem arriscados", explica.

Perfil de Investimentos das Mulheres

O estudo, que analisou mais de 100 pesquisas e ouviu mais de 400 mulheres, indica que, quando as mulheres investem, o dinheiro já é destinado a objetivos específicos, como educação dos filhos ou aquisição de bens. Essa realidade se reflete nos dados da Anbima, que mostram que apenas 31% das brasileiras investem, e que a caderneta de poupança é a opção preferida para 69% delas.

Além disso, o estudo revela que gastos inesperados do dia a dia, que podem ser considerados "Pix invisíveis", muitas vezes não são contabilizados e desviam recursos que poderiam ser alocados para investimentos ou reservas de emergência.

Impacto das Normas Culturais

Os padrões culturais também desempenham um papel significativo na forma como as mulheres se relacionam com o dinheiro. Carolina Cavenaghi, especialista em finanças, menciona que desde a infância, as meninas são ensinadas a servir e não a correr riscos. Isso resulta em uma abordagem mais cautelosa em relação aos investimentos, diferente da dos homens, que tendem a ser mais impulsivos.

Consequências para a Aposentadoria

Esses comportamentos financeiros afetam diretamente a aposentadoria das mulheres. Segundo a pesquisa, o ciclo de vida financeiro das mulheres é repleto de obrigações que muitas vezes as impedem de pensar em seu próprio futuro. Quando finalmente se voltam para si mesmas, frequentemente não há recursos suficientes acumulados.

O etarismo no mercado de trabalho apresenta um agravante, pois mulheres mais velhas enfrentam discriminação, resultando em menos oportunidades e uma maior dependência da Previdência Social. Isso pode levar a uma situação financeira precária na velhice, em contraste com a realidade masculina, onde os homens tendem a morrer mais cedo, deixando muitas mulheres sozinhas e sem um planejamento adequado.

Por fim, como destaca Maíra Liguori, essa dinâmica faz com que as mulheres paguem a conta, tanto financeira quanto emocionalmente, evidenciando a necessidade de um olhar mais atento para as desigualdades de gênero no âmbito financeiro.