O programa Caminhos da Reportagem traz à tona o conceito de Pink Money, que refere-se ao poder de compra da população LGBTQIAPN+, um termo que ganhou força nos EUA nos anos 80. No Brasil, a consultoria Out Now estima que esse segmento consome cerca de R$ 420 bilhões anualmente.
Histórico do Pink Money no Brasil
Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, destaca que, historicamente, o pink money esteve associado a nichos específicos, como turismo e entretenimento, muitas vezes de maneira estereotipada. Na década de 1990, o mercado se concentrava em espaços seguros, como bares e boates, moldando a carreira de ícones como a drag queen Silvetty Montilla.
Com o passar dos anos, especialmente a partir de 2000, o mercado voltado para a comunidade LGBT+ se expandiu consideravelmente. Clovis Casemiro, da Associação Mundial de Turismo LGBT+, menciona o crescimento da Parada de São Paulo, que movimentou R$ 550 milhões em 2025, refletindo uma maior aceitação social.
Desafios e o conceito de Pink Washing
Apesar do crescimento, a captação de patrocínios ainda é um desafio. Nelson Matias Pereira, presidente da APOLGBT-SP, observa que as empresas brasileiras investem menos em eventos LGBT+ do que em outros. Além disso, muitas marcas se apropriam dos símbolos LGBT+ durante o Mês do Orgulho sem promover direitos reais, o que é conhecido como pink washing.
Iniciativas do setor privado
Para combater esse fenômeno, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ foi criado, reunindo organizações que se comprometem a promover os direitos da população LGBT+. O Grupo Heineken, por exemplo, está investindo em bares administrados por proprietários LGBT+, buscando um desenvolvimento econômico sustentável para a comunidade.
Eventos e seu impacto
Eventos como o Todo Mundo no Rio atraem milhões, movimentando R$ 800 milhões na economia carioca. Siluana Bezerra, proprietária de uma loja no Saara, revela que 90% do público durante esses eventos é LGBT+. A rede hoteleira também se beneficia, expandindo sua capacidade para atender a demanda crescente.
Desemprego e inclusão da população trans
A população trans enfrenta um cenário ainda mais desafiador no mercado de trabalho. Segundo o Ipea, em 2023, apenas 25% dessa população tinha emprego formal, recebendo salários 32% inferiores à média nacional. Andréa Brazil, que enfrentou dificuldades em empregos tradicionais, conseguiu abrir seu próprio salão de beleza e atualmente dirige o projeto social Capacitrans, que capacita pessoas LGBT+ em diversos ofícios.
O jornalista Francisco Borges, que é pai solo de seis filhos adotivos, destaca a importância de uma sociedade que valorize a diversidade. Ele busca entender como as instituições abordam as questões LGBT+ em contextos educacionais.
O episódio intitulado "Pink Money: o Valor da Diversidade" será exibido às 23h desta segunda-feira (8), na TV Brasil.
