A economia do Brasil apresentou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao último trimestre de 2025, conforme dados recentes do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (29).
Expectativas do Mercado
O resultado superou as previsões do mercado financeiro, que esperava uma alta de 1%, de acordo com a mediana das projeções coletadas pela agência Bloomberg. As expectativas variavam entre 0,6% e 1,7% de crescimento.
Analistas afirmam que, em um ano de eleições, o crescimento no início de 2026 tende a ser mais robusto do que nos trimestres seguintes. O PIB vinha enfrentando uma desaceleração ao longo de 2025, influenciado por uma política de juros altos para combater a inflação.
Fatores Contribuintes
O mercado de trabalho começou 2026 com sinais positivos, apresentando uma taxa de desemprego baixa e aumento da renda. Esses fatores, aliados aos bons resultados da safra de grãos e a implementação de medidas econômicas pelo governo Lula, impulsionaram a atividade econômica no período.
Entre as ações do governo, destacam-se a liberação de crédito, o aumento do salário mínimo, a continuidade de programas sociais e a isenção do Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$ 5.000 mensais, conforme informações do economista Rodolpho Sartori, da agência Austin Rating.
Desafios Econômicos
Entretanto, Sartori ressalta que existe um equilíbrio delicado: os estímulos governamentais contrastam com a alta taxa de juros, que é considerada um “mal necessário” para controlar a inflação, especialmente pressionada pela guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro e elevou os preços do petróleo.
Esse conflito representa um desafio significativo para a economia brasileira ao longo de 2026, assim como a crescente dívida das famílias, o que preocupa o governo em ano eleitoral. Lula, que busca a reeleição em outubro, já tomou medidas para tentar conter a alta dos combustíveis.
Projeções Futuras
A taxa básica de juros (Selic) começou 2026 em 15% ao ano, com reduções para 14,75% em março e 14,5% em abril. Contudo, a pressão inflacionária resultante da guerra pode dificultar a continuidade da redução da Selic pelo Banco Central, segundo analistas.
As projeções do mercado financeiro indicam um crescimento acumulado de 1,89% para a economia brasileira em 2026. Já o Ministério da Fazenda estima um aumento mais otimista de 2,3%. No entanto, os estímulos do governo em um ano eleitoral levantaram preocupações entre analistas sobre possíveis riscos à política de controle da inflação do Banco Central.
Novas Diretrizes do IBGE
A divulgação do PIB desta sexta-feira é a primeira sob a nova equipe do IBGE, que assumiu os cálculos após a exoneração da coordenadora de contas nacionais, Rebeca Palis. Ela foi substituída por Ricardo Moraes, e a mudança gerou pedidos de exoneração de outros profissionais da área.
