O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) manifestou sua desaprovação à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração ocorreu durante um evento do Lide, em São Paulo, no dia 29 de maio.
Crítica à Banalização do Terrorismo
Pacheco argumentou que essa medida, proposta pelo ex-presidente Donald Trump, 'banaliza o conceito de terrorismo'. Ele reafirmou que o combate às facções criminosas deve ser realizado pelo próprio Estado brasileiro, utilizando os instrumentos previstos na Constituição e na legislação nacional.
O senador enfatizou que a classificação não deve servir como justificativa para intervenções estrangeiras. "O Estado brasileiro é um Estado soberano", destacou. Para ele, PCC e CV têm como foco principal a obtenção de lucros por atividades ilícitas, diferindo assim da definição tradicional de terrorismo.
Interlocução com os EUA
Pacheco sugeriu que caberá ao Ministério das Relações Exteriores dialogar com os EUA e outras nações que possam ajudar no combate ao crime organizado. Ele frisou que a nova classificação não é necessariamente uma ajuda ao Brasil.
A manifestação de Pacheco veio um dia após o Departamento de Estado dos EUA anunciar que pretende incluir PCC e CV na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, com a medida prevista para entrar em vigor a partir de 5 de junho.
Fim de Ciclo na Política
Durante o evento, o senador também comunicou que 2027, quando finaliza seu mandato, marcará o término de sua carreira política. Ele afirmou que essa decisão é irrevogável e que não pretende concorrer a cargos como o governo de Minas Gerais ou uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Estou plenamente realizado após 12 anos de vida pública", disse Pacheco, que já ocupou cargos como deputado federal e presidente do Senado. Ele ressaltou a importância de avaliar ciclos e encerra sua trajetória com a sensação de dever cumprido.
Comentário sobre Flávio Bolsonaro
Em relação à crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, Pacheco optou por não criticar e defendeu o direito à ampla defesa. Ele pediu que se façam distinções entre questões políticas e judiciais, afirmando ser necessário garantir o contraditório e a presunção de inocência a todos citados em investigações.
Aprovação do Fim da Escala 6x1
Por fim, Pacheco abordou a recente aprovação do fim da escala 6x1, afirmando que tal mudança já foi bem recebida pelo Congresso e pela sociedade. "O povo brasileiro deseja isso. Agora, cabe ao Senado avaliar como pode contribuir, seja aprimorando o texto ou não", concluiu, sendo cogitado para relatar a proposta na Casa.
