A economia brasileira iniciou 2026 com um crescimento de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) em comparação ao trimestre anterior. Na comparação anual, o aumento foi de 1,8%, mostrando um desempenho estável em relação ao ano passado, quando o PIB havia avançado 1,4% no mesmo período.

Desempenho da Indústria e Serviços

Segundo Rodolfo Margato, economista da XP, o crescimento do PIB no primeiro trimestre não foi impulsionado pelo agronegócio, mas sim pela recuperação da indústria e do varejo. A indústria teve um crescimento de 1,6% e o setor de serviços, que representa cerca de 70% da economia, apresentou um aumento de 0,5%.

O agronegócio, embora tenha registrado um crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior, ficou abaixo das expectativas, principalmente em comparação à safra recorde do ano anterior.

Setor Agropecuário e Indústria

A produção de soja foi o destaque positivo no agronegócio, com um aumento de 4,8% em relação à estimativa anual, beneficiada por condições climáticas favoráveis e expansão da área plantada. No entanto, o milho e o arroz apresentaram quedas de 2,5% e 10,6%, respectivamente.

A indústria extrativa mineral se destacou no trimestre, com um crescimento de 3,6%, impulsionada pela extração de petróleo e gás. A construção civil também contribuiu, apresentando uma alta de 2,9%. Já a indústria de transformação teve um desempenho modesto, com apenas 0,1% de variação.

Demanda Interna e Investimentos

Na análise da demanda, o consumo das famílias aumentou 1,0%, respaldado por um mercado de trabalho estável e medidas de estímulo do governo, como o reajuste do salário mínimo e transferências sociais. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 3,5%, revertendo a queda anterior, embora a comparação anual mostre uma retração de 1,4%.

Expectativas Futuras

Para o restante de 2026, os analistas preveem um crescimento contínuo, mas com uma desaceleração gradual. Fatores como juros altos, inflação e incertezas externas podem impactar a atividade econômica. Apesar disso, as projeções para o fechamento do ano variam entre 1,7% e 2,0%, com a expectativa de que as medidas de estímulo do governo possam contribuir positivamente para o crescimento do PIB.

A resiliência da demanda interna pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a revisar suas estimativas, ajustando suas expectativas em relação ao hiato do produto, conforme destacado por especialistas do setor.