A União Europeia (UE) anunciou na última sexta-feira (5) que o Brasil foi retirado da lista de países considerados adequados às suas normas de uso de antimicrobianos na pecuária. Essa decisão representa uma séria ameaça às exportações brasileiras de produtos de origem animal, que totalizam aproximadamente US$ 5 bilhões por ano.
A partir de 3 de setembro deste ano, o Brasil ficará proibido de enviar carnes para o bloco europeu. O motivo da exclusão é a falta de garantias por parte do Brasil em relação à não utilização de antimicrobianos na criação de animais.
Impactos nas exportações brasileiras
No relatório de 2024, o Brasil constava como autorizado a comercializar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Contudo, após a decisão da UE, o país foi excluído de todas essas categorias.
Atualmente, a União Europeia é o segundo maior mercado para as carnes brasileiras, perdendo apenas para a China. Em 2025, o bloco adquiriu 368,1 mil toneladas de produtos, resultando em receitas de US$ 1,8 bilhão.
Dentre esses números, a carne bovina destacou-se, gerando um faturamento de US$ 1,048 bilhão com 128 mil toneladas exportadas, posicionando-se como o terceiro maior destino da carne bovina brasileira. A carne de frango também teve um desempenho relevante, com exportações de US$ 762 milhões e 230 mil toneladas.
Motivos da exclusão e possíveis soluções
O Brasil não exporta carne suína para a União Europeia, mas outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, ainda estão autorizados a vender seus produtos para o bloco europeu.
Segundo Leonardo Munhoz, especialista em direito agroambiental, a exclusão do Brasil se deu por conta do uso de antimicrobianos que também promovem crescimento animal, como a virginiamicina e a avoparcina. Em abril, o Ministério da Agricultura já havia proibido a importação e o uso de alguns destes antimicrobianos.
Para reverter essa situação e voltar a figurar na lista da UE, o Brasil precisa restringir legalmente o uso desses medicamentos ou assegurar que a carne exportada esteja livre dessas substâncias. Essa segunda alternativa é desafiadora, pois requer um rigoroso controle de rastreabilidade, o que pode ser demorado e custoso.
Consequências para o setor agropecuário
O impacto dessa decisão gera preocupações relevantes para o agronegócio brasileiro, uma vez que a União Europeia é um mercado estratégico para as proteínas animais. As exigências impostas pela UE podem afetar a rastreabilidade, a certificação sanitária e a conformidade das exportações brasileiras.
