O Banco Central (BC) do Brasil enfrenta um cenário preocupante, com a redução de 35% de seu efetivo nos últimos 20 anos, enquanto os ativos sob sua supervisão cresceram mais de 200% no mesmo período. Essa discrepância levanta alarmes entre especialistas e entidades do setor financeiro.

Queda no Efetivo e Aumento de Ativos

Em 2006, o BC contava com 5.072 funcionários, mas esse número caiu para 3.300 em 2026, em grande parte devido à falta de concursos e restrições orçamentárias. A área de fiscalização é a mais afetada, com o quadro reduzido de 1.384 para 605 servidores.

Enquanto isso, os ativos da indústria financeira saltaram de R$ 5,68 trilhões para R$ 17,89 trilhões, conforme dados da plataforma IF.Data. Isaac Sidney, presidente da Febraban, expressa preocupação com a situação atual do BC, que opera com orçamento limitado e escassez de pessoal experiente.

Desafios na Supervisão e Proposta de Autonomia

O número total de instituições financeiras diminuiu de 2.447 para 1.794 devido a um movimento de consolidação. No entanto, desde 2019, surgiram 355 novas fintechs autorizadas a operar, aumentando a necessidade de supervisão. Essa situação é usada como argumento para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca garantir autonomia administrativa e orçamentária ao BC.

A PEC, que está em tramitação no Senado, propõe que o BC mantenha receitas que atualmente vão para o Tesouro, mas enfrenta resistência por parte do Partido dos Trabalhadores e de assessores do presidente Lula.

Debate sobre Autonomia e Orçamento

A discussão sobre a autonomia do BC é complexa. Enquanto alguns defendem que um orçamento separado é benéfico, especialistas como Rafael Schiozer alertam para os riscos de depender de receitas que podem variar. Ele sugere um modelo misto de financiamento para garantir a estabilidade do órgão.

Além disso, o BC enfrenta um envelhecimento de seu quadro funcional, com 349 servidores já elegíveis para aposentadoria. A falta de concursos por uma década contribui para essa situação, com apenas 248 dos 300 aprovados no último concurso permanecendo na instituição.

Reforço na Fiscalização e Tecnologia

Sidney destaca que um orçamento maior é vital para investimentos em tecnologia que ajudem a combater fraudes e lavagem de dinheiro. Associações do setor financeiro, como a Zetta e a Anbima, também clamam por maior controle orçamentário para o BC, enfatizando que a independência financeira é crucial para a estabilidade econômica e a confiança no sistema financeiro.

Em nota, a Zetta afirmou que a atuação do BC deve ser fortalecida por meio de recursos adequados, enquanto a Anbima ressaltou que medidas que aumentem sua autonomia administrativa e orçamentária são essenciais para o desenvolvimento sustentável do sistema financeiro brasileiro.