No último sábado (20), o Theatro Municipal de São Paulo recebeu a estreia de duas novas obras do Balé da Cidade: 'Coro Umbral', da coreógrafa colombiana Andrea Peña, e 'Até que se Abra Tudo', da brasileira Michelle Moura. Ambas as peças exploram a noção de coletividade, o individualismo e a relação do ser humano com a natureza.

Coro Umbral: A Coletividade em Cena

'Coro Umbral' traz uma proposta intrigante onde 15 bailarinos interagem com uma estrutura de aço de 1,2 tonelada, que se torna um elemento central na coreografia. Os intérpretes são vistos em momentos de fusão e fratura, refletindo sobre como suas relações se reorganizam no espaço cênico. A coreógrafa Peña destaca que a obra questiona a tensão entre a autonomia individual e o pertencimento ao grupo.

Uma Coreografia em Tempo Real

Durante os ensaios, a peça se revelou uma escrita física bastante exigente, combinando alta técnica e movimentos quase orgânicos. Embora coreografados, os bailarinos têm a liberdade de decidir em tempo real como executar determinadas ações, o que gera uma sensação de improviso e mantém cada apresentação única.

Reflexões sobre o Caos Sagrado

Peña busca em sua criação resgatar valores associados à experiência latino-americana, como vulnerabilidade e coletividade. Ela acredita que a dança pode ser uma forma de imaginar modos alternativos de convivência, especialmente em uma sociedade que valoriza o individualismo. Em um momento da obra, os bailarinos executam ações em conjunto por cerca de dez minutos, ressaltando a importância do acordo coletivo.

Até que se Abra Tudo: A Conexão com a Terra

Diálogo entre as Obras

Embora abordem temas distintos, ambas as obras dialogam sobre a coexistência em um mundo fragmentado. Enquanto 'Coro Umbral' explora a dinâmica entre indivíduos e coletividade, 'Até que se Abra Tudo' questiona as fronteiras entre o humano e o meio ambiente. Essas reflexões se tornam ainda mais relevantes sob a nova direção artística de Luiz Fernando Bongiovanni, que marca um novo capítulo para o Balé da Cidade.