No coração de Belo Horizonte, no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, a tradição das fotos lambe-lambe é mantida por Chico Manco, um fotógrafo de 73 anos. Desde 1963, ele utiliza uma câmera caixote, que foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade em 2011. O envolvimento de Chico com a fotografia começou ainda na infância, quando seu vizinho o convidou para trabalhar como assistente.
A Paixão pela Fotografia
Chico Manco, que adotou o apelido de 'Manco' para se apropriar de sua condição física, sempre teve a fotografia como paixão. Desde os 10 anos, ele ajudava no parque, onde aprendeu todos os segredos da profissão. “Eu lavava os retratos e aprendia cada processo com meu mentor, que me inspirou a amar a fotografia”, relembra.
A Técnica Lambe-Lambe
A técnica de lambe-lambe, muito popular no século XX, teve um papel crucial na democratização da fotografia no Brasil. Com uma câmera montada em um tripé, Chico conseguia produzir fotos em preto e branco, que eram reveladas em questão de minutos. Para colorir as imagens, ele utilizava papel crepom e pincéis, criando retratos únicos.
A Transição para a Digital
Com a aposentadoria de seu mentor, Chico herdou a câmera e sustentou sua família através da fotografia durante décadas. Embora tenha deixado de usar a câmera antiga na década de 1990 devido à falta de materiais, ele adotou a fotografia digital para continuar seu trabalho. A câmera de 115 anos, apesar de não funcionar mais, permanece como símbolo de sua trajetória e da história da fotografia.
Um Legado Familiar
Gilson Henrique, filho de Chico, cresceu no parque e começou a ajudar o pai desde os 7 anos. Ele se apaixonou pela fotografia observando o trabalho do pai e decidiu seguir seus passos aos 17 anos. Hoje, ele também fotografa famílias que voltam ao parque para registrar momentos especiais.
Preservando a Memória
Chico Manco se orgulha ao ver seu filho continuar o legado familiar. Para ele, a fotografia é mais do que um trabalho; é uma forma de manter vivas memórias. Pai e filho acreditam que fazer o que se ama é fundamental, e essa paixão é o que os mantém unidos e motivados no ofício. Eles compartilham suas experiências em palestras, mostrando a magia da fotografia artesanal.
