No dia 15 de junho, o Acre comemora 64 anos de sua elevação à categoria de estado, e esse momento é uma oportunidade para relembrar a figura de José Augusto de Araújo, o primeiro governador eleito democraticamente em 1962. A celebração acontece no Calçadão da Gameleira, em Rio Branco, e reacende a memória de um dos mais importantes líderes políticos da história acreana.
A trajetória de José Augusto
Natural de Feijó, José Augusto assumiu o governo em 1º de março de 1963 com a ambição de estabelecer o Acre como um estado modelo na federação brasileira. Sua viúva, Maria Lúcia Melo de Araújo, e sua filha, Nazareth Araújo, que foi vice-governadora entre 2014 e 2018, compartilham memórias sobre o político e o homem que ele foi.
Maria Lúcia recorda que, apesar de jovem, José Augusto tinha um plano de governo claro e ambicioso, focando na educação e fortalecimento das instituições que mais tarde resultaram na criação da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Ministério Público do Acre (MP-AC).
O impacto da ditadura
O governo de José Augusto foi interrompido pelo golpe militar de 1964, quando ele foi forçado a renunciar em meio a denúncias de ser 'comunista'. Sua gestão durou pouco mais de um ano, e após a renúncia, a família se refugiou no Rio de Janeiro, onde permaneceram devido ao agravamento da saúde do ex-governador.
A Assembleia Legislativa do Acre anulou a cassação de José Augusto em 2014, um gesto que traz à tona a importância de sua figura na história política do estado. Maria Lúcia relembra como a saída abrupta do governo impactou profundamente a saúde e a vida de sua família.
Relíquias da história
A família guarda diversos objetos como relíquias da trajetória de José Augusto, incluindo uma caneta utilizada na cerimônia de posse, presenteada por moradores de Cruzeiro do Sul. Esse item é considerado um símbolo da importância de seu legado.
Legado e influência
Nazareth, filha de José Augusto e procuradora do MP-AC, destaca como a trajetória dos pais influenciou sua formação profissional e política. Ela considera um orgulho preservar e divulgar o legado do ex-governador, que representa a luta pela cidadania e pelo acesso a direitos básicos.
Recentemente, Nazareth doou um acervo familiar à Ufac, incluindo livros sobre administração pública e história do Acre. Para ela, manter viva a memória é essencial para que as novas gerações conheçam a história do estado e as pessoas que contribuíram para sua construção.
