Em meio ao crescimento acelerado de Juiz de Fora, que se traduz em prédios altos e avenidas movimentadas, as vilas da cidade se destacam por preservar memórias de famílias e tradições que perduram ao longo das gerações. Esses espaços urbanos se tornam verdadeiros refúgios, onde a convivência e o sentimento de comunidade se mantêm vivos, contrastando com a agitação externa.

Vila Irineu José: tradição e inovação

A Vila Irineu José, situada no bairro São Mateus, é um exemplo claro dessa resistência. Com casas coloridas e uma atmosfera acolhedora, foi criada na década de 1940 por Irineu José Affonso, um empresário do setor de panificação. Hoje, o neto Francisco Irineu, que ainda reside no local, ressalta a importância de preservar a história da família e da vila.

Além de manter a estrutura original, a Vila Irineu José se reinventa com a presença de novos comércios, como estúdios de tatuagem, cafeterias e floriculturas, que atraem visitantes e transformam o espaço, sem perder seu encanto. O tatuador João Reis destaca que muitos que visitam pela primeira vez ficam surpresos com o que encontram ali, comparando-o até a uma vila italiana.

A herança da Vila Caruso

No Centro da cidade, a Vila Caruso, idealizada por Ercole Caruso, imigrante italiano que chegou ao Brasil em 1927, é outro símbolo da memória juiz-forana. Construída no final da década de 1930, a vila foi pensada para acolher familiares e compatriotas, se tornando um espaço que atravessa gerações.

Atualmente, descendentes de Caruso ainda habitam o local, como Itália Caruso, que expressa seu orgulho pela tradição familiar. Roberto Maciel Gouvêa, morador antigo, também compartilha essa ligação profunda com a vila, que faz parte de sua história desde a infância.

O ritmo tranquilo de Santa Helena

No bairro Santa Helena, uma pequena vila com cerca de 15 casas proporciona um ritmo mais calmo, onde crianças brincam e vizinhos interagem. Érica Costa, moradora e Nail Designer, transformou parte de sua casa em um estúdio, e destaca a tranquilidade do local, que contrasta com a agitação do Centro.

Para Érica, a vila oferece um ambiente seguro e acolhedor, onde as crianças podem brincar livremente. Em uma cidade que se moderniza há 176 anos, essas vilas são um lembrete de que modos de vida mais simples e comunitários ainda têm espaço, protegidos por portões discretos e corredores estreitos.