O aroma do polvilho invade os lares de Conceição dos Ouros, uma cidade localizada no Sul de Minas Gerais, que é carinhosamente chamada de "Capital Nacional do Polvilho". Com aproximadamente 12 mil habitantes, a cidade construiu sua identidade em torno da produção artesanal de polvilho, uma tradição que gera renda, sustenta famílias e fomenta o turismo local.
Produção e Tradição
De acordo com dados do IBGE, o município cultiva cerca de 15 mil toneladas de mandioca anualmente, em uma área de mais de 405 hectares. O Sebrae Minas informa que existem mais de 30 fábricas artesanais de polvilho na região, garantindo a continuidade de uma cadeia produtiva que abrange desde o campo até as quitandas e pratos criativos servidos aos turistas.
A história do polvilho em Conceição dos Ouros começa dentro das casas. Para muitas famílias, o polvilho sempre fez parte da mesa, como na história de Maria Rita Ribeiro de Souza, conhecida como Tia Rita, uma referência na produção de sequilhos. Ela relembra com carinho os momentos em que ajudava a mãe a fazer quitandas, ressaltando a importância da tradição familiar.
Desenvolvimento e Autonomia
Na zona rural, a produção de polvilho não é apenas uma herança cultural, mas também uma fonte de autonomia e renda para as mulheres. A Associação das Biscoiteiras de Ouros, por exemplo, reúne essas mulheres que transformam receitas tradicionais em biscoitos e quitandas, fortalecendo sua presença no turismo local.
Angélica Maria de Carvalho Prado, integrante da associação, destaca que a participação no turismo trouxe novas oportunidades e permitiu a criação de uma agroindústria. "É uma forma de preservar o que aprendemos com nossos pais e avós", afirma Angélica, ressaltando a importância do trabalho coletivo.
Inovação e Valorização Cultural
Mesmo com a modernização da indústria, Conceição dos Ouros continua sendo uma referência na produção de polvilho azedo, mantendo práticas tradicionais como a fermentação natural. A empresa Maxmil, que atua há mais de 30 anos, investe em tecnologia, mas preserva os métodos artesanais que caracterizam o polvilho da região.
O prefeito Luís Fernando Rosa de Castro comenta que a cidade está apostando na inovação gastronômica e no turismo para impulsionar a economia local, transformando a tradição do polvilho em uma experiência turística que gera renda.
Polo Gastronômico e Novas Receitas
Desde 2021, com o apoio do Sebrae, empreendedores locais passaram a receber capacitações para explorar o potencial do polvilho em novas receitas. Sandro Maciel Mendes, por exemplo, desenvolveu um taco de polvilho após participar de um curso, enquanto Leila Cristina Barbosa Carvalho criou um bolo de pão de queijo com linguiça, que ganhou destaque em um concurso gastronômico.
Rota do Polvilho e Reconhecimento Cultural
A Rota do Polvilho, criada há cerca de dois anos, atrai em média 280 turistas anualmente, permitindo que os visitantes conheçam todo o processo de produção do polvilho. Em 2025, um projeto de lei para reconhecer o modo artesanal de fazer polvilho como patrimônio cultural de Minas Gerais foi apresentado na Assembleia Legislativa.
A prefeitura também planeja a criação do Memorial do Polvilho, visando preservar a rica história local. Para Tia Rita, a continuidade da tradição é essencial: "Quando uma tradição é passada de geração em geração, ela nunca deixa de existir".
