As vendas no comércio varejista apresentaram uma queda de 1,5% em abril em relação a março, conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (16). O resultado veio em desacordo com a expectativa do mercado, que previa uma retração mais leve, de 0,6%. Este recuo interrompe uma sequência de três meses consecutivos de crescimento e retorna os índices ao nível registrado em janeiro deste ano.
Comparação Anual
No acumulado de 12 meses, o setor ainda mostra um crescimento de 1,5%, e em comparação com abril do ano passado, as vendas aumentaram 1%. Em meses anteriores, o PMC indicou um crescimento de 0,5% em janeiro, 0,8% em fevereiro e 0,7% em março.
Queda Generalizada
De acordo com economistas da XP, Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, a redução nas vendas foi ampla, sendo que a categoria de Supermercados, Produtos Alimentícios e Bebidas teve um avanço de 1,3%, ajudando a mitigar a queda geral. Entre as categorias que mais sentiram o impacto, está a de Combustíveis e Lubrificantes, que caiu 6,2% após um aumento de 5% em março, refletindo a instabilidade no mercado de petróleo.
Resultados Adversos
Os dados do IBGE também indicaram quedas significativas em Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (-4,6%) e em Equipamentos e Materiais para Escritório, Informática e Comunicação (-4,5%). Os setores de Móveis e Eletrodomésticos enfrentaram uma contração de 0,8%, marcando o quinto mês consecutivo de redução.
Desempenho do Varejo Ampliado
O varejo ampliado, que inclui segmentos automotivos e de construção, também apresentou resultados negativos, com uma queda de 0,7%, enquanto o mercado esperava um aumento de 0,2%. Dentro desse panorama, a categoria de Veículos teve um recuo de 0,7%, e Materiais de Construção caiu 3,6%.
Perspectivas Futuras
Os economistas do Itaú apontam que os dados refletem um início mais fraco para o varejo no segundo trimestre, sugerindo um impacto limitado dos pagamentos judiciais realizados no final de março. As categorias sensíveis ao crédito, por exemplo, mostraram desempenho melhor, enquanto aquelas ligadas à renda apresentaram queda. Apesar disso, os analistas da XP acreditam que um mercado de trabalho robusto e medidas de estímulo do governo devem sustentar a demanda nos próximos meses.
