No encerramento da Feira do Livro, realizada neste domingo, 7, o evento trouxe à tona discussões relevantes sobre gênero e a morte. A jornalista Carol Pires e a psicanalista Vera Iaconelli mediaram um debate intitulado "Nem Todo Homem", que contou com a participação do advogado Renan Quinalha e do ator Thomás Aquino.
Masculinidade em Debate
Durante o encontro, Pires e Iaconelli destacaram como muitos homens se sentem intimidados ao discutir questões de masculinidade, frequentemente evitando o tema por medo de cometer erros. A expressão que batiza o debate foi mencionada como uma forma que alguns homens utilizam para se esquivar de confrontar suas próprias questões de gênero.
Iaconelli enfatizou a necessidade de aliados masculinos na luta contra o patriarcado, afirmando que é fundamental que homens se juntem à causa para promover mudanças efetivas. Aquino, por sua vez, abordou como a masculinidade é muitas vezes construída sobre a violência, tanto contra si mesmo quanto contra os outros, resultando em um processo que exclui características associadas ao feminino.
Reflexões Pessoais
Quinalha compartilhou sua experiência como homem gay e como isso influenciou sua percepção de masculinidade, enfrentando críticas sobre sua adequação a esses padrões. A conversa foi enriquecida pela presença de Reinaldo Moraes e Ian Uviedo, que, apesar da diferença de idade, trouxeram perspectivas distintas sobre as consequências das ações de gerações passadas.
Moraes, com 76 anos, revelou que começou a repensar suas atitudes machistas após ser corrigido por mulheres ao longo de sua vida. Uviedo, de 27 anos, expressou orgulho de fazer parte de uma geração que enfrenta questões de gênero, ambientais e raciais herdadas de seus antecessores.
A Morte Sem Tabu
Outra discussão impactante foi conduzida pela médica e escritora Ana Claudia Quintana Arantes, que falou abertamente sobre a morte. Arantes, conhecida por seu livro "A Morte É Um Dia que Vale a Pena Viver", abordou a dificuldade que as pessoas têm em falar sobre esse tema, destacando que evitar a conversa não adianta e que é essencial discutir a morte para uma vida e uma morte dignas.
Ela defendeu a implementação de cuidados paliativos desde o início do tratamento de doenças terminais, argumentando que essa abordagem poderia aliviar o sofrimento. Arantes criticou a cultura que adia o alívio do sofrimento até que a cura seja improvável, ressaltando que o cuidado deve ser uma prioridade em qualquer fase do tratamento.
