Na última sexta-feira, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DI) de curto prazo registraram alta significativa após a divulgação de dados que mostraram um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre de 2026. Com um aumento no consumo das famílias, surgem dúvidas sobre a continuidade do ciclo de cortes da taxa Selic.
Detalhes do PIB e Consumo das Famílias
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que o PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao trimestre anterior, superando a expectativa de analistas que previam um avanço de 1,0%. Na comparação anual, o crescimento foi de 1,8%, alinhando-se às previsões do mercado.
Um dos principais destaques foi o aumento de 1,0% no consumo das famílias entre janeiro e março, que se acelerou em relação ao crescimento de apenas 0,2% registrado no trimestre anterior. Fatores como a isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$5 mil contribuíram positivamente para essa alta.
Desafios para o Banco Central
Com o aquecimento do consumo, analistas apontam que o cenário para controle da inflação se torna mais complexo para o Banco Central. Apesar da expectativa de desaceleração econômica no segundo trimestre, os dados do PIB intensificam as preocupações sobre a inflação e a possibilidade de novos cortes na taxa Selic, que atualmente se encontra em 14,50% ao ano.
Carlos Lopes, economista do banco BV, comentou sobre a situação, afirmando que os primeiros sinais do segundo trimestre indicam uma desaceleração significativa da atividade econômica, possivelmente com crescimento próximo de zero. No entanto, os resultados do primeiro trimestre são considerados positivos e ajudam a manter a atenção do Banco Central em relação à inflação.
Movimentações no Mercado Financeiro
No mercado financeiro, a taxa do DI para janeiro de 2028, um dos papéis mais negociados, atingiu 13,955% durante o dia, refletindo a reação aos dados do PIB. Em contraste, as taxas de longo prazo apresentaram leve queda, influenciadas pela diminuição dos rendimentos dos Treasuries, em meio à expectativa de um acordo entre EUA e Irã.
Impacto da Política Externa
As tensões no Oriente Médio também afetaram o mercado, com investidores atentos às declarações do presidente norte-americano sobre a possibilidade de um acordo com o Irã. A expectativa de um entendimento político entre os dois países gerou alívio nas taxas de juros de longo prazo, que são mais suscetíveis a influências externas.
Além disso, o Banco Central anunciou que a dívida bruta brasileira como proporção do PIB subiu para 80,4% em abril, quase em linha com as expectativas do mercado. O setor público consolidado registrou um superávit primário de R$24,624 bilhões em abril, acima do projetado.
