Na última quinta-feira, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) registraram quedas expressivas, superando os 40 pontos-base em diversos vencimentos. Essa movimentação foi impulsionada pela decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de cancelar ataques programados ao Irã e de afirmar que um acordo será assinado em breve.
Impacto no Mercado Financeiro
O recuo nas taxas dos DIs acompanhou o forte declínio nos rendimentos dos Treasuries no mercado internacional. No fechamento da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 foi fixada em 14,51%, uma queda de 40 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,906%. Já para janeiro de 2035, a taxa ficou em 14,325%, também com uma redução de 40 pontos-base.
Pela manhã, as taxas já mostravam perdas no Brasil, refletindo um ajuste após as altas recentes. Os investidores estavam atentos ao possível acordo entre os EUA e o Irã, que poderia trazer mudanças significativas nas relações internacionais e nos mercados financeiros.
Reação ao Cancelamento dos Ataques
Após a declaração inicial de Trump, que indicava um ataque forte ao Irã, o presidente reverteu sua posição, o que levou a uma rápida queda nos rendimentos dos Treasuries e, consequentemente, nas taxas dos DIs no Brasil. Este movimento se intensificou no final da sessão, quando Trump confirmou que um “ótimo acordo” estava em andamento.
O analista Matheus Spiess, da Empiricus Research, comentou que houve um ajuste natural após as recentes altas, mas destacou que o principal fator por trás da queda foi a notícia do cancelamento dos ataques.
Dados Econômicos e Expectativas de Inflação
Apesar do recuo nas taxas, o mercado brasileiro recebeu dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostraram um aumento de 1,2% no volume de serviços em abril, superando a expectativa de alta de 0,6%. Este resultado alimenta as preocupações sobre o controle da inflação no país.
Desde o final de maio, instituições financeiras têm elevado suas projeções para a inflação e para a Selic, que atualmente está em 14,50%. As apostas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) variam entre a manutenção da Selic e a possibilidade de um último corte de 25 pontos-base.
Expectativas para o IPCA
O analista Spiess destacou que a divulgação do IPCA de maio será crucial para determinar os próximos passos do Banco Central em relação à Selic. Se os números forem negativos, o BC pode decidir interromper os cortes já nesta reunião de junho.
Às 16h37, após as declarações de Trump sobre o acordo com o Irã, o rendimento do Treasury de dez anos despencou 9 pontos-base, situando-se em 4,449%, refletindo as novas dinâmicas do mercado.
