O Ministério da Saúde anunciou a ampliação do serviço de teleatendimento destinado a pessoas com problemas relacionados à dependência em jogos de apostas, em resposta a uma demanda crescente. O objetivo é aumentar o acesso a suporte psicológico e assistência especializada para esses indivíduos.

Investimentos e Parcerias

A nova estratégia de teleatendimento será reforçada pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), que ficará responsável pela contratação de empresas especializadas. Este serviço foi lançado em março, em colaboração com o Hospital Sírio-Libanês, e já conta com 6.912 usuários cadastrados.

Para viabilizar essa ampliação, o governo destinará cerca de R$ 70 milhões até o final deste ano. Essa iniciativa faz parte de um plano mais amplo de ações que busca prevenir e tratar problemas relacionados a jogos de apostas, além de capacitar profissionais e ampliar o acesso aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Pesquisa Nacional e Recursos

O Ministério também destinará R$ 6 milhões para uma pesquisa nacional inexplorada, que visa entender como os jogos de apostas afetam a saúde dos brasileiros. O objetivo é identificar os grupos mais vulneráveis e os principais riscos associados a essa prática.

Os recursos para a execução desse plano virão, em parte, de R$ 45,7 milhões destinados ao ministério em 2025, referentes à arrecadação social das apostas. A legislação estabelece que esse montante deve ser utilizado em ações de prevenção e mitigação de danos sociais decorrentes dos jogos.

Acesso ao Teleatendimento

Para utilizar o serviço de teleatendimento do SUS, os interessados devem se cadastrar no aplicativo Meu SUS Digital. Após o registro, é necessário baixar o app, disponível para Android e iOS, ou acessar a versão web. O Meu SUS Digital também oferece informações sobre os sinais de alerta relacionados aos jogos e um autoteste validado por especialistas.

Se o resultado do autoteste indicar risco moderado ou elevado, o usuário será encaminhado automaticamente para o teleatendimento. Caso o risco seja menor, a orientação será procurar apoio em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Dados e Iniciativas Recentes

De acordo com dados recentes, os atendimentos do SUS para jogo patológico aumentaram 104% entre 2018 e 2025, com um total de 10.553 casos atendidos nesse período. A maior prevalência foi observada entre homens e pessoas na faixa etária de 20 a 49 anos, embora o aumento de casos entre jovens também tenha preocupado especialistas.

Como parte de uma iniciativa mais ampla, o governo lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, permitindo que os usuários bloqueiem seu acesso a sites de apostas. Até o final de maio, mais de 500 mil pessoas já utilizaram essa ferramenta. Além disso, o Ministério da Saúde lançou um Guia de Cuidado para apoiar o tratamento de pessoas afetadas por jogos de apostas.

Por fim, um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva visa fortalecer o combate ao mercado ilegal de apostas, estabelecendo que recursos confiscados de atividades ilegais poderão ser utilizados para combater o crime organizado.