O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender o julgamento de 12 recursos interpostos por grandes empresas de tecnologia que buscam esclarecer e ajustar a decisão que aumentou a responsabilidade das plataformas digitais pelo conteúdo que publicam. O julgamento teve início na quarta-feira (10) e foi interrompido após o ministro Dias Toffoli sugerir ajustes na tese anteriormente fixada, mantendo, no entanto, as obrigações das plataformas em situações que envolvem crimes antidemocráticos, terrorismo e outros delitos graves.
Contexto da Decisão
A discussão central gira em torno de quando deve ser aplicada a nova interpretação do STF, uma vez que as empresas solicitam que as regras sejam válidas apenas após o término de todos os recursos no tribunal. A análise dos recursos será retomada na quinta-feira (11), com a continuação do voto de Toffoli, que é relator de nove dos doze casos.
Decisão Anterior do STF
No ano passado, o STF declarou, por 8 votos a 3, a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que limitava a responsabilidade das plataformas em relação ao conteúdo gerado por terceiros. A nova regra estabelece que as plataformas devem ser responsabilizadas se não removerem postagens ilícitas após notificação.
Argumentos de Toffoli
Durante seu voto, Toffoli defendeu a decisão do STF, enfatizando que o tribunal ofereceu uma resposta institucional a uma questão preocupante para a Justiça e o Legislativo em todo o mundo. Ele argumentou que a decisão não constitui censura e que usuários podem contestar a remoção de seus conteúdos judicialmente.
Requisitos de Notificação
Toffoli também esclareceu que as plataformas não podem impor requisitos não previstos em lei para a notificação de remoção de conteúdo, ressaltando que, ao serem notificadas, as plataformas devem agir para evitar prejuízos. Além disso, ele destacou que já existe responsabilidade caso haja inércia injustificada na remoção de conteúdos ilícitos.
Expectativas e Recursos
Os ministros devem analisar embargos de declaração que questionam a clareza da decisão. Entre os recursos estão pedidos do Facebook e Google, que buscam explicações sobre a aplicação das novas regras e o conceito de responsabilidade. O julgamento deverá ser concluído nesta semana, conforme afirmou o presidente do STF, Edson Fachin.
