Na quarta-feira (1º), senadores se reuniram para discutir uma proposta que visa acabar com a escala 6x1, atualmente adotada por quase 15 milhões de trabalhadores no Brasil. O texto, que ainda está na fase de discussão, foi aprovado na Câmara e propõe a redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário, estabelecendo dois dias de descanso semanal.

Detalhes da proposta

Segundo a proposta, sessenta dias após a promulgação da emenda, a jornada de trabalho será reduzida de 44 para 42 horas semanais. Um ano depois, a jornada cairá para 40 horas. Isso se aplica especialmente aos trabalhadores que estão na escala 6x1, incluindo 5,5 milhões que atuam em micro e pequenas empresas.

Debates no Senado

A sessão de debates se estendeu por todo o dia, com a participação de senadores, representantes do setor produtivo, trabalhadores e membros do governo. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, defendeu que a mudança pode impulsionar a economia, permitindo que empreendedores em tempo parcial gerem mais renda e desenvolvam novos negócios.

Preocupações do setor produtivo

Por outro lado, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, expressou preocupação com o impacto da redução da jornada na informalidade do mercado de trabalho. Ele ressaltou que a discussão deve ser feita com responsabilidade, considerando que cerca de 45 milhões de trabalhadores no Brasil estão registrados, enquanto 44 milhões atuam de forma informal.

Impactos na competitividade

Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria, alertou que a proposta pode comprometer a competitividade do setor produtivo e pediu mais tempo para uma discussão aprofundada. Ele destacou que o aumento dos custos sem ganhos de produtividade pode refletir nos preços dos produtos.

Custos para o transporte

Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte, também levantou questões sobre o aumento dos custos, afirmando que a implementação da nova jornada poderia elevar os custos do frete em mais de R$ 11 bilhões por ano, além de impactar o transporte urbano de passageiros em 6% a 8%.

A proposta ainda não tem data definida para votação no Senado, mas continua gerando intensos debates entre os diversos setores envolvidos.