A segurança pública emergiu como a principal preocupação do eleitorado brasileiro, superando a corrupção pela primeira vez na história da pesquisa Nexus/BTG Pactual. De acordo com os dados, 33% dos entrevistados consideram a segurança, a violência e a criminalidade como os maiores desafios do país.

Uniformidade nas preocupações

O aspecto mais interessante dessa pesquisa é a similaridade nas opiniões entre diferentes grupos políticos. Tanto eleitores de Lula quanto de Flávio Bolsonaro manifestaram a mesma porcentagem de 32% de preocupação com a segurança, evidenciando que esse tema será central nas próximas eleições presidenciais.

Influência externa

A ascensão da segurança pública no ranking de preocupações coincide com a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Essa informação é reconhecida por 86% da população, segundo a pesquisa, e provavelmente ajudou a elevar o tema ao primeiro plano.

Comparativo com pesquisas anteriores

Nos levantamentos realizados nos meses anteriores, a segurança pública variava entre 23% e 28% das preocupações, mas agora alcançou seu maior índice. Em contraste, a corrupção, que liderava anteriormente com 27%, caiu para 23% em junho.

Preocupações dos brasileiros

Além da segurança pública, outras preocupações dos brasileiros incluem saúde pública (25%), corrupção (23%), educação (15%), e desigualdade social (12%). Apesar da unidade na preocupação com a segurança, os eleitores se dividem em outras questões, com os apoiadores de Lula priorizando saúde e desigualdade social, enquanto os de Flávio Bolsonaro focam em corrupção e inflação.

Expectativas e impactos

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, afirma que a discussão sobre a decisão americana fez com que a segurança pública emergisse como um assunto central para ambos os lados do espectro político. A pesquisa revela que 37% dos brasileiros temem que a classificação das facções como terroristas represente uma ameaça à segurança e possa servir como justificativa para a intervenção dos EUA. Enquanto 30% acreditam que isso melhorará a segurança, 23% não veem impacto algum.