Os dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) referente ao primeiro trimestre de 2026 (1T26) mostraram um cenário de crescimento para algumas operadoras de planos de saúde. O lucro líquido das operadoras atingiu US$ 6 bilhões, refletindo uma melhora geral no setor.

Crescimento do Lucro e Margens

Ao desconsiderar uma provisão técnica de US$ 2,7 bilhões feita pela SulAmérica, o lucro líquido ajustado sobe para US$ 7,6 bilhões, o que representa um aumento de 12% em relação ao ano anterior. A margem líquida também se destacou, alcançando 8,4%, superior aos 7,8% registrados no 1T19, antes da pandemia.

Com a exclusão do impacto da SulAmérica, a sinistralidade caiu 0,7 ponto percentual, fixando-se em 78,6%, e permanecendo 2,9 p.p. abaixo dos números de 2019. A margem operacional ajustada também apresentou melhora, subindo 1,5 p.p. e atingindo 6,8%, superando os índices pré-pandemia.

Desempenho da SulAmérica

A SulAmérica se destacou com um provisionamento de IBNR (Sinistros Ocorridos Mas Não Avisados) de cerca de R$ 610 milhões, representando um aumento de 15% em relação ao ano anterior. O índice de IBNR sobre sinistros médicos subiu para 27%, indicando uma expectativa de melhora contínua na sinistralidade.

Além disso, a SulAmérica liderou a captação de clientes, aumentando sua participação de mercado em 0,3 p.p., totalizando 9,8%. Os analistas acreditam que a empresa tem potencial para continuar surpreendendo positivamente no setor.

Resultados da Amil e Outras Operadoras

A Amil, por sua vez, apresentou uma redução de 1 p.p. na sinistralidade, que agora se encontra em 79,5%. Sua margem operacional cresceu 4 p.p., atingindo 6,5% e resultando em um lucro líquido de US$ 520 milhões. A operadora foi uma das que mais se recuperaram em relação ao período pré-pandemia.

Outras operadoras, como a Bradsaúde, também mostraram resultados positivos, com uma provisão de IBNR de R$ 17 milhões e uma sinistralidade de caixa que caiu para 77,7%. Já a Unimed viu sua sinistralidade diminuir para 72%, com um lucro de US$ 63 milhões.

Desafios para a Hapvida

No entanto, a Hapvida enfrenta um cenário desafiador, com a melhora da sinistralidade de concorrentes como a Amil intensificando a competição de preços. A Hapvida Assistência Médica registrou um tíquete médio de R$ 289, com sinistralidade de 73,6%, enquanto sua subsidiária NDI Saúde manteve um ticket de R$ 337, enfrentando uma concorrência acirrada.

Perspectivas de Mercado

O ticket médio no setor de saúde suplementar subiu 9% em relação ao ano anterior. As seguradoras de saúde aumentaram sua participação de mercado em receita, alcançando 25,9%, enquanto as medicinas de grupo e a Unimed apresentaram quedas. A SulAmérica e a Amil lideraram os ganhos de participação, enquanto a Hapvida perdeu espaço.