Tarcísio de Freitas, apelidado de "Tarcisão do Asfalto", se destacou em sua campanha eleitoral, porém os números de suas concessões rodoviárias estão aquém das expectativas. Durante seu tempo no Ministério da Infraestrutura, entre 2019 e 2022, ele leiloou cinco concessões que somavam aproximadamente 3.100 km de rodovias. Após sua saída para concorrer ao governo de São Paulo, seu sucessor, Marcelo Sampaio, adicionou um sexto projeto, elevando o total para cerca de 3.900 km.
Desempenho em comparação
No atual governo de Lula, a situação se inverteu. O Ministério dos Transportes, liderado até abril por Renan Filho, conduziu 23 leilões que totalizaram 10 mil km de estradas. Com novas rodadas de leilão programadas até o final do ano, esse número pode ultrapassar 14 mil km, superando em mais de três vezes o que foi leiloado durante a gestão de Tarcísio e Sampaio.
Concessões em São Paulo
Como governador de São Paulo, Tarcísio também superou os antecessores João Doria e Rodrigo Garcia em número de leilões, com seis realizados. No entanto, a extensão total de rodovias concedidas foi menor do que a administrada anteriormente, levantando questionamentos sobre a eficácia de sua gestão.
Argumentos do governo
O governo paulista argumenta que a comparação apenas pela extensão da malha ou valores não reflete a eficiência das concessões. Eles defendem que indicadores como desempenho e qualidade do serviço precisam ser levados em conta.
PPP e financiamento de obras
Outra questão relevante é a abordagem financeira das concessões. Tarcísio utilizou o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) em algumas de suas concessões, que permite ao governo pagar à concessionária ao longo do contrato, enquanto seus antecessores optaram por estruturar as concessões sem investimentos do Tesouro.
Impacto das PPPs
Especialistas, como Sandro Cabral do Insper, afirmam que esse modelo pode ser justificado em casos onde a receita dos pedágios não é suficiente para custear as obras necessárias. No entanto, isso implica em compromissos financeiros significativos para o governo ao longo de décadas, com um custo anual de R$ 452,96 milhões para as empresas vencedoras das PPPs em dois lotes específicos.
