A Rede D'or, maior rede de hospitais do Brasil, expressou preocupação com a judicialização no setor de saúde, que muitas vezes resulta em liminares para tratamentos sem benefício clínico real para os pacientes. Segundo Paulo Moll, CEO da empresa, esses casos contribuem para o desperdício de recursos e pressionam ainda mais as operadoras de saúde e seus clientes.

Desafios do Setor de Saúde

Durante um evento promovido pelo Estadão, Moll destacou a necessidade urgente de aprimoramento nos processos de incorporação de novas tecnologias na saúde, que atualmente apresentam critérios distintos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde suplementar. Essa diferença tem gerado situações em que pacientes judicializam o acesso a terapias, mesmo quando não há comprovação de eficácia.

Integração de Dados e Uso de Tecnologia

O CEO da Rede D'or ressaltou que a falta de integração dos dados dos pacientes é um fator que leva à ineficiência no atendimento. Ele afirmou que a organização dos dados e a interoperabilidade são fundamentais para a evolução do setor. Moll acredita que a utilização de inteligência artificial pode revolucionar a forma como os profissionais de saúde acessam e utilizam informações durante os atendimentos.

Evitar o Luxo dos Planos de Saúde

Com o aumento dos custos na saúde, há preocupações de que os planos de saúde se tornem inacessíveis para a população. Moll afirmou que a chave para evitar que isso aconteça reside na avaliação criteriosa das novas tecnologias. Ele criticou a judicialização precoce de tratamentos que já estão disponíveis no Brasil, mas que não passaram pelas devidas avaliações técnicas.

Compartilhamento de Riscos

Para lidar com o alto custo dos tratamentos, Moll propôs acordos de compartilhamento de risco entre as operadoras de saúde e a indústria farmacêutica. Esses acordos condicionariam o pagamento do tratamento à sua eficácia, promovendo uma gestão mais eficiente dos recursos.

Medidas para o Novo Governo

Por fim, Moll sugeriu que o novo governo federal priorize a criação de um novo arcabouço para a incorporação de tecnologias em saúde, semelhante a modelos adotados em países como Reino Unido e Itália. Ele acredita que essa medida é crucial para enfrentar os desafios financeiros impostos pelo envelhecimento da população e garantir um sistema de saúde mais sustentável.