Pesquisadores argumentam que as grandes cidades precisam urgentemente incorporar florestas em seus projetos urbanísticos. Essa proposta é resgatada por especialistas como o escritor italiano Stefano Mancuso, conhecido por seus estudos sobre a inteligência das plantas.

O conceito de fitópolis

Mancuso participou da 3ª edição do Seminário Internacional Transmutar, em Brumadinho (MG), onde apresentou o conceito de fitópolis. Essa ideia propõe uma transformação radical nas cidades, concebendo-as como organismos urbanos inteligentes e resilientes, capazes de se adaptar às mudanças climáticas.

Segundo o pesquisador, a verdadeira evolução urbana não deve se basear em soluções arquitetônicas focadas apenas no ser humano, mas sim em uma relação mais harmônica com a natureza. Ele defende que as plantas são parte fundamental desse ecossistema e que o urbanismo deve considerar sua importância.

Benefícios das fitópolis

Com 70% da população mundial vivendo em cidades, Mancuso acredita que a adoção das fitópolis pode ser uma solução eficaz. Ele sugere que a redução de 20% das áreas asfaltadas, substituindo-as por espaços arborizados, poderia melhorar significativamente a qualidade de vida urbana.

Além disso, ele defende que as plantas devem ser incorporadas nos edifícios, criando um ambiente mais saudável e sustentável. O ideal seria que uma fitópolis tivesse pelo menos 60% de cobertura vegetal, uma rede de transporte público eficiente e a exclusão de veículos movidos a combustão.

Urbanismo indígena e suas lições

O arqueólogo Eduardo Góes Neves trouxe à tona exemplos de urbanismo indígena que datam de 2,5 mil anos no Acre. Ele ressalta que as antigas civilizações da Amazônia integravam a natureza em seus projetos urbanos, ao contrário do que ocorre nas grandes cidades contemporâneas, onde a natureza é frequentemente negligenciada.

Neves critica a urbanização atual, que tende a excluir a natureza, e sugere que o futuro das cidades deve ser pautado pela ideia de “cidades-jardins”, onde a floresta deve ser reintroduzida nos espaços urbanos.

Reflexão sobre o meio ambiente

O seminário deste ano, com o tema Transfluências, homenageou o pensador quilombola Nêgo Bispo dos Santos, falecido em 2023. A programação destacou a importância de refletir sobre como as ações humanas se relacionam com a natureza, promovendo um diálogo mais profundo sobre as barreiras que existem atualmente.

A gestora cultural Ana Ochoa Acosta e a bióloga Sue Anne Costa também contribuíram para a discussão, enfatizando a necessidade de reavaliar a relação entre tecnologia e natureza, bem como a importância de decisões que respeitem o sagrado e a essência do território.

Inhotim e sua missão ambiental

O Instituto Inhotim, reconhecido por seu acervo de arte contemporânea, também atua como um jardim botânico que preserva a biodiversidade brasileira. Com mais de 1.000 espécies de plantas e 75 hectares de floresta regenerada, o Inhotim é um exemplo de como a arte e a natureza podem coexistir e contribuir para a conservação ambiental.