A Raízen, uma das principais produtoras de açúcar e etanol do Brasil, anunciou a conclusão de um acordo extrajudicial para reestruturar sua dívida, que soma aproximadamente R$ 65 bilhões. A informação foi divulgada pela Bloomberg News, a qual destacou que a maioria dos credores, detentores de 75% das obrigações, apoiou o plano.
Processo de Reestruturação
O entendimento permite que a Raízen evite um pedido de recuperação judicial, um passo que a empresa precisava evitar. Para isso, era necessário o consentimento de pelo menos 50% dos credores. Esta reestruturação é resultado de quase dois anos de negociações, que começaram bem antes da solicitação formal de recuperação extrajudicial, feita em março deste ano.
Dificuldades e Aportes
Fontes próximas às negociações relataram que a definição dos aportes financeiros por Cosan e Shell, sócios da Raízen, foi um fator crucial nas conversas. A Shell, por exemplo, hesitou em realizar um aporte significativamente maior que o da Cosan, o que complicou ainda mais a situação financeira da empresa.
Endividamento e Tecnologia
O alto índice de endividamento da Raízen é atribuído, em grande parte, aos investimentos em novas tecnologias, como a produção de etanol de segunda geração (E2G). Este biocombustível é produzido a partir de resíduos vegetais, mas sua complexidade tecnológica e os custos elevados têm dificultado a sua competitividade frente ao etanol de milho, que vem ganhando espaço no mercado.
Desinvestimentos e Impactos
Para lidar com a crescente dívida, a Raízen teve que se desfazer de ativos importantes, incluindo uma usina histórica na região de Ribeirão Preto, um dos principais polos do setor. A empresa atua em toda a cadeia produtiva, desde a produção de açúcar até a distribuição de combustíveis, possuindo mais de 8.000 postos de combustíveis sob a marca Shell.
Desafio no Varejo
A Raízen também enfrentou desafios em sua incursão no varejo, ao tentar implementar a rede Oxxo no Brasil em parceria com o grupo mexicano Femsa. A operação não trouxe o retorno esperado e foi encerrada em 2025, o que agravou ainda mais a crise financeira da empresa. O abandono do varejo fez com que a Raízen se concentrasse na gestão de suas lojas Shell Select e Shell Café, que permanecem sob sua administração.
